Transição para seca exige mudança na dieta do gado, diz especialista

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Nesta terça-feira (14), o Giro do Boi traz uma orientação técnica crucial para o pecuarista Ed Carlos, do estado do Pará. O consultor em pecuária e zootecnista Luis Kodel respondeu à dúvida sobre o manejo nutricional de uma bezerrada que vem apresentando excelente desempenho, mas que agora enfrenta o desafio da mudança climática.

Com os animais pesando 340 kg e a meta de atingir 420 kg em plena estiagem, a palavra de ordem é adaptação: a dieta que funcionou nas águas não é a mesma que garantirá o lucro na seca.

Confira:

Por que mudar do proteico das águas para o da seca?

O capim em abril já começa a perder qualidade, tornando-se mais fibroso e pobre em proteína. Para que o gado continue ganhando peso, a dieta precisa focar na eficiência ruminal.

Na seca, a ureia é indispensável. Ela serve de alimento para as bactérias do rúmen, permitindo que elas digiram o capim seco e lignificado muito mais rápido.

O suplemento de transição deve elevar os níveis nutricionais. A recomendação de Kodel é buscar um produto com proteína bruta entre 30% e 35% e níveis de ureia próximos a 5%.

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O problema do boi de 400 kg no proteico de baixo consumo

Kodel alerta que, para animais que já atingiram as 13 ou 14 arrobas, o suplemento proteico de baixo consumo (1g por kg de peso vivo) pode ser “pouco combustível para muita máquina” durante a seca.

Animais acima de 400 kg estão entrando na fase de acabamento, onde a demanda por energia para deposição de gordura é altíssima. No pasto seco, falta essa energia.

Manter esses animais apenas no proteico simples pode fazer com que eles apenas mantenham o peso, aumentando o tempo de permanência na fazenda e o custo do ágio.

A solução estratégica: TIP (Terminação Intensiva a Pasto)

Para atingir o objetivo de Ed Carlos com eficiência, a recomendação é migrar para a TIP. Nessa estratégia, o consumo de suplemento sobe para algo entre 1% a 2% do peso vivo.

O animal come mais ração e menos capim, o que preserva a estrutura do pasto e evita a degradação das raízes da braquiária durante a seca. A TIP permite que o animal coloque gordura e atinja as 18-20 arrobas rapidamente (em 90 a 100 dias), liberando o pasto para a reposição.

Se o plano é terminar animais de 400 kg ainda na seca, o ajuste na dieta para maior consumo é fundamental. Embora o custo com ração aumente, a produção de arrobas é muito superior e o tempo de ocupação do pasto diminui, o que resulta em maior rentabilidade no fechamento do caixa.

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