O Giro do Boi desta terça-feira (14) destacou como a RIP (Recria Intensiva a Pasto) está acelerando o “relógio” da pecuária de corte brasileira.
O zootecnista Eliezer Moreira dos Santos Júnior, gerente de pecuária do Grupo Novapec, referência em Rondonópolis (MT), explicou que essa técnica é a maior oportunidade de intervenção no ciclo produtivo do bovino.
Ao combinar suplementação concentrada, pasto de alta qualidade e controle rigoroso, o grupo consegue colher arrobas extras por hectare e preparar carcaças de qualidade superior em tempo recorde.
Confira:
O modelo de sucesso: menos tempo, mais músculo
O segredo da RIP aplicada pelo Grupo Novapec está em transformar a recria, que tradicionalmente é uma fase lenta, em um motor de crescimento acelerado. Enquanto o sistema convencional pode levar até 18 meses, a recria intensiva na Novapec dura apenas 6 meses.
O foco é fazer o animal ganhar músculo e ossatura sem deposição precoce de gordura. Os bezerros entram com cerca de 230 kg e saem para a terminação com 380 kg a 390 kg.
O grupo trabalha com metas de GMD (Ganho Médio Diário) de 900g para machos e 800g para fêmeas, chegando a picos de 1 kg/dia, o que potencializa a curva de crescimento.
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Nutrição estratégica e o uso do DDG

A dieta é o combustível que permite esse ganho acelerado a pasto. A estratégia nutricional utiliza o que há de mais moderno em coprodutos para otimizar custos.
- Suplementação: o trato médio é de 0,8% do peso vivo (cerca de 3 kg de ração/dia).
- Composição proteica: a ração conta com milho, casca de soja, farelo de algodão e o DDG/WDG (coproduto do milho), mantendo uma dieta com 20% a 22% de Proteína Bruta.
- Eficiência biológica: a conversão é um diferencial; com a combinação de ração e capim de qualidade, o animal devolve 1 kg de ganho para cada 3 kg de suplemento consumido.
Verticalização e resultados no frigorífico

A implementação da RIP reflete em indicadores que vão muito além do peso vivo, impactando diretamente na lucratividade por área e na aceitação da indústria.
- Taxa de lotação: o sistema permite um aumento de 15% a 30% no número de animais por hectare.
- Rendimento de carcaça: os animais apresentam carcaças mais volumosas. O rendimento médio de machos no grupo gira entre 56,5% e 57%, podendo atingir 58%.
- Custo da arroba: a arroba produzida na RIP é consideravelmente mais barata que a do confinamento total, pois utiliza a forragem como base energética principal.
Como destacado por Eliezer Moreira, a pecuária moderna não admite que o animal permaneça no pasto além do necessário. A RIP é a ferramenta que prepara o gado para uma terminação curta e eficiente, garantindo que o produtor não “perca o bonde da história” e mantenha a sustentabilidade financeira do negócio.
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