Nesta quinta-feira (9), o quadro “Giro do Boi Responde” abordou uma das estratégias mais sofisticadas para a produção de carne premium no Brasil. O zootecnista Alexandre Zadra, autor do blog Crossbreeding e autoridade em genética bovina, respondeu à dúvida de Leonardo Muller, de Catalão (GO).
O foco foi como utilizar a raça Wagyu no “Serradão” goiano para maximizar o mármore e a heterose, equilibrando a alta genética com os desafios climáticos da região.
Confira:
Heterose e genética: qual o melhor caminho para o mármore?
A escolha entre o cruzamento direto ou o tricross depende diretamente da sua capacidade de fornecer “comida e conforto”. O Wagyu é mundialmente famoso pelo depósito de gordura intramuscular, mas sua expressão fenotípica exige estratégias distintas:
- Opção A (Wagyu x Nelore): gera um animal F1 com excelente heterose e maior rusticidade. É a escolha ideal para quem pretende recriar a pasto no calor de Goiás, mantendo uma base genética de mármore sólida com a resistência do Zebu.
- Opção B (Wagyu sobre F1 Angus/Nelore): é o chamado Tricross. Aqui, você aproveita a precocidade e o ganho de peso da fêmea F1 Angus e adiciona o “tempero” do Wagyu para explodir o grau de mármore. É, tecnicamente, o ápice da qualidade gourmet, mas exige investimento máximo.
O desafio térmico no Cerrado
O maior gargalo para o Wagyu e seus cruzamentos no Centro-Oeste é o metabolismo. Zadra alerta que o excesso de sangue europeu (clima frio) pode ser um inimigo se a fazenda não estiver preparada.
- O limite dos 26°C: animais Tricross (Wagyu x F1 Angus) sentem o calor rapidamente. Acima de 26°C, eles param de comer e buscam sombra.
- A “cozinha” e o conforto: no verão de Catalão, o animal precisa de sombra abundante e água fresca. O objetivo é que ele se sacie rapidamente no cocho e volte para a sombra, transformando energia em gordura em vez de gastá-la para tentar se resfriar.
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Nutrição: sem comida, não há genética que se pague
O mármore é uma deposição de gordura tardia. Para o Wagyu expressar seu potencial, o animal não pode passar fome em nenhuma fase da vida, especialmente na pós-desmama.
- Suplementação pesada: recomenda-se uma dieta de alto concentrado (2,0% a 2,5% do Peso Vivo).
- Sistemas indicados: para o Tricross, o ideal é o confinamento total ou a TIP (Terminação Intensiva a Pasto). Se o animal for deixado apenas no capim seco, o potencial de mármore é “abortado” pela restrição nutricional.
A decisão vai depender da estrutura. Se você tem “fábrica de ração” e consegue garantir sombra de qualidade, o Tricross Wagyu na F1 Angus é o que entrega o produto que o mercado de nicho paga prêmio. Porém, se o seu sistema ainda depende muito do capim e a sombra é escassa, o cruzamento Wagyu x Nelore é mais seguro e resiliente para o clima de Catalão.
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