Entressafra exige ajuste de lotação para evitar prejuízo na seca; veja como fazer

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

No Giro do Boi desta quinta-feira (9), o engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, trouxe um alerta fundamental para o pecuarista brasileiro: a entressafra está batendo à porta.

Segundo o especialista, o planejamento feito agora é o que definirá se a fazenda atravessará o período de escassez com rentabilidade ou se amargará o prejuízo de ver o rebanho perder peso e o pasto degradar. O foco central deve ser o equilíbrio entre a oferta de alimento e o número de bocas no pasto.

Confira:

A matemática da fome: a regra dos 70/30

O primeiro passo para enfrentar a entressafra com sucesso é compreender a fisiologia das gramíneas tropicais. O crescimento do capim não é linear ao longo do ano, e ignorar essa variação é o caminho mais rápido para o superpastejo.

  • Produção nas águas: o pasto entrega cerca de 70% de todo o seu volume anual durante o período chuvoso.
  • Produção na seca: este volume cai drasticamente para apenas 30%, ou menos, dependendo da região.
  • Ajuste de lotação: se você não produziu reservas (como silagem ou feno), a ação imediata é reduzir a carga animal. O ideal é iniciar a “desova” dos animais mais pesados e prontos para o abate, garantindo que o capim restante seja suficiente para manter as categorias mais sensíveis, como matrizes e bezerros.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!

Biosoluções: a tecnologia para a transição

Para quem ainda possui uma janela de umidade no solo (com chuvas isoladas em abril), Wagner Pires aponta o uso de biosoluções como o “pulo do gato” para estender a qualidade do pasto durante a entressafra.

  • Nutrição foliar: diferente da adubação de solo, que exige grandes volumes de água, os fertilizantes foliares à base de Nitrogênio, Fósforo e Aminoácidos são absorvidos diretamente pelas folhas.
  • Reserva e raiz: esse estímulo nutricional faz com que a planta desenvolva raízes mais profundas e armazene tecidos de reserva.
  • O benefício: o capim “dorme” com mais saúde, mantendo um valor proteico aceitável por até dois meses extras no início da seca, permitindo uma transição menos traumática para o gado.

A mensagem central é que nutrição de planta não é o mesmo que adubação convencional. Em 2026, com o clima instável, o uso de fertilizantes foliares atua como uma ferramenta de precisão. Ao fortalecer a planta antes que o solo seque totalmente, o produtor permite que o capim busque água em camadas profundas. Como resume Pires: “É a tecnologia ajudando a equilibrar o manejo quando o clima não colabora”.

News Giro do Boi no Zap!

Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.

Rolar para cima