‘Quem não faz conta, paga a conta’, afirma Victor Darido sobre gestão na recria

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No Giro do Boi desta quinta-feira (16), o pecuarista e consultor Victor Darido, da Fazenda Água Preta (SP), trouxe um alerta decisivo para quem atua no elo mais desafiador da pecuária. Segundo Darido, embora a recria e engorda ofereçam as maiores margens de lucro, elas também representam o maior risco da operação.

A máxima “quem não faz conta, paga a conta” resume a necessidade de uma gestão minuciosa, pois, nesta categoria, qualquer erro no manejo ou na suplementação pode transformar o potencial de ganho em prejuízo severo.

Confira:

A recria como fábrica de arrobas baratas

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Para Victor Darido, o segredo do sucesso na Fazenda Água Preta foi parar de tratar o garrote como um animal de “espera” e passar a enxergá-lo como uma “Ferrari” que precisa de combustível de qualidade.

Através da RIP (Recria Intensiva a Pasto), a fazenda atinge um Ganho Médio Diário (GMD) impressionante de 1,1 kg, resultado de boas práticas e foco no desempenho individual. A gestão minuciosa permite produzir uma arroba na recria custando entre R$ 105 e R$ 110.

Esse baixo custo é fundamental para diluir o ágio pago na compra do bezerro. Com esse desempenho, o animal entra na fase de terminação já em ponto de equilíbrio financeiro, garantindo maior segurança para o ciclo final.

O ciclo total, do desmame ao abate, foi reduzido para apenas 12 meses, permitindo um giro de capital muito mais veloz que o sistema tradicional.

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Os pilares do manejo: água e bem-estar

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Victor Darido. Foto: Divulgação.

A experiência de Darido mostra que a gestão vai além dos números da planilha. Ela está nos detalhes do dia a dia que garantem a imunidade e a tranquilidade do rebanho.

  • Água de “piscina”: Darido defende que a água é o alimento mais importante. Bebedouros limpos e água cristalina são inegociáveis. “Água suja faz o gado comer menos e o lucro escorrer”, afirma o pecuarista.
  • Manejo de cocho: o trato é feito com rigorosa rotina, focando em ingredientes palatáveis que garantem o consumo rápido e eficiente.
  • Suplementação estratégica: o uso de proteico-energético (0,3% do peso vivo nas águas) mantém o animal em constante evolução, evitando o estresse e a queda de imunidade comuns no pós-desmame.

Planejamento para a seca de 2026

Diante da previsão de um El Niño severo, Victor Darido reforça que a gestão de risco exige antecipação para que o gado não “derreta” nos meses de escassez.

  • Diferimento de pasto: reservar até 30% da área de pastagem ainda no final das águas para servir de “feno em pé”.
  • Escoamento nutricional: elevar o nível de suplementação para até 0,5% do peso vivo para compensar a perda de proteína do capim seco.
  • Ajuste de lotação: saber o momento exato de reduzir a carga animal para preservar a saúde do pasto e o escore do rebanho.

A recria intensiva não aceita amadorismo. Para Victor Darido, o pecuarista deve atuar como um gestor de riscos, garantindo que o bem-estar animal e o controle de custos caminhem juntos. No cenário de 2026, a lucratividade pertence a quem domina os números e não deixa a “Ferrari” encalhar no pasto mal gerido.

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