Canchim on Dairy: Embrapa lança selo que certifica touros para produção de carne em rebanhos de leite

Foto: Divulgação.

O Giro do Boi desta terça-feira (2) destacou o anúncio de uma tecnologia revolucionária para a pecuária brasileira: o selo Canchim on Dairy. Esta é a segunda certificação do programa Beef on Dairy (touro de corte sobre vaca de leite) chancelada pela Embrapa no país, logo após a raça Aberdeen Angus.

Sob as diretrizes do título, a nova chancela identifica touros avaliados da raça Canchim aptos ao cruzamento com vacas leiteiras mestiças (principalmente da raça Girolando), garantindo qualidade superior aos bezerros de descarte e proporcionando carne de alta qualidade para o segmento de cortes nobres.

Com essa estratégia, os produtores de leite ganham uma nova opção de comercialização para diversificar a renda, transformando o que antes era um subproduto de baixo valor em um animal altamente atrativo para o mercado de carne.

Em entrevista, a pesquisadora Cíntia Righetti Marcondes, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), deu mais detalhes sobre a novidade. Confira:

Critérios rígidos: como o touro consegue o selo Canchim on Dairy?

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Para garantir a segurança do produtor de leite, a concessão do selo não é feita por amadorismo. Os dados são validados cientificamente pelo programa Promebo (avaliação genética da raça). Para receber a chancela, o touro (seja de central de sêmen ou reprodutor de repasse no campo) precisa obrigatoriamente passar por um funil rigoroso de DEPs (Diferenças Esperadas na Proclênie):

  • Facilidade de parto (peso ao nascer): o touro deve possuir DEP baixa para peso ao nascer. Esse critério é fundamental para evitar problemas de distocia (parto difícil) nas matrizes leiteiras.
  • Área de Olho de Lombo (AOL): exige-se DEP positiva e robusta para AOL, o que assegura que o bezerro gerado possua musculatura evidente e alto rendimento de cortes traseiros no frigorífico.
  • Velocidade de crescimento: o reprodutor deve transmitir desempenho superior para ganho de peso do nascimento à desmama e no pós-desmame, fazendo o animal arrancar forte no eito.
  • Conformação ao sobreano: avalia-se o biotipo do animal para garantir um equilíbrio: ele não pode ser pequeno demais (sem valor de carcaça) e nem grande demais (evitando sobrecarga na estrutura física da vaca).

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A engenharia do Beef on Dairy adaptada aos trópicos

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O conceito de Beef on Dairy já é uma potência nos Estados Unidos, onde responde por dois terços da carne premium do mercado através do cruzamento de Angus e Charolês sobre vacas Holandesas e Jersey. No Brasil, terceiro maior produtor mundial de leite com 34 bilhões de litros/ano, a Embrapa adaptou essa engrenagem para a realidade climática e fundiária nacional.

A raça Canchim foi a escolhida por carregar mais de 70 anos de história e melhoramento genético totalmente voltado para as condições tropicais. Sendo uma raça composta por 5/8 Charolês e 3/8 Zebu — desenvolvida originalmente na Fazenda Canchim, em São Carlos —, ela reúne o pelo claro, a alta libido, a rusticidade e a resistência ao calor necessárias para cobrir a campo ou ser utilizada via inseminação artificial nos rebanhos mestiços e Girolando de todo o país.

Parcerias comerciais e abate técnico no Triângulo Mineiro

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O grande trunfo do projeto Canchim on Dairy, implantado inicialmente em parceria com a Emater em Minas Gerais, é o envolvimento de toda a cadeia para dar liquidez imediata ao produtor de leite.

O programa estruturou uma rede de compradores para absorver os bezerros padronizados logo após a desmama ou como boi magro, evitando que o produtor de leite precise se preocupar com as fases subsequentes de recria e engorda.

As unidades da Friboi de Iturama (MG) e Ituiutaba (MG), no Pontal do Triângulo Mineiro, realizarão um abate técnico desses animais experimentais. Os dados de carcaça, maturidade e qualidade de carne serão analisados na Unicamp, sob coordenação do pesquisador Sérgio Pflanzer, para certificar cientificamente a maciez e o marmoreio do cruzamento.

O selo Canchim on Dairy chega para provar que o bezerro de descarte da atividade leiteira não precisa ser sinônimo de subproduto ou prejuízo. Quando o produtor de leite usa as cabeceiras do seu Girolando para fazer a reposição do plantel e joga a genética de um touro Canchim avaliado no restante das matrizes, ele cria uma nova e poderosa fonte de receita.

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