Nesta terça-feira (19), o Giro do Boi respondeu a uma dúvida técnica crucial para a eficiência da pecuária de cria. O criador Paulo Franjotti, da Agropecuária de Japorã (MS), quer saber se pode entrar com a reprodução — seja por touro ou inseminação — em suas novilhas Nelore a partir dos 12 meses de idade, estando todas com peso acima de 300 kg.
Para esclarecer esse desafio da precocidade sexual, o programa consultou o professor da USP de Pirassununga, José Bento Ferraz, uma das maiores autoridades do país com mais de 40 anos de estudos em genética bovina.
Confira:
Veredito da genética: precocidade sexual é realidade no Nelore
A resposta direta do professor José Bento Ferraz para o criador sul-mato-grossense é um entusiasmado sim, é perfeitamente possível.
A raça Nelore passou por uma transformação genética profunda nas últimas décadas. O mito de que o gado zebuíno era obrigatoriamente tardio ficou para trás. O professor destaca que existem projetos altamente vitoriosos desenvolvidos no próprio estado do Mato Grosso do Sul focados em fertilidade e puberdade precoce.
O criador não deve aplicar essa estratégia em qualquer lote. As fêmeas superprecoces precisam ser filhas e netas de touros e matrizes que tenham DEPs (Diferença Esperada na Progênie) consolidadas para precocidade sexual.
A balança e o “pulo do gato” na nutrição
Embora o peso de Paulo Franjotti seja excelente — as novilhas estão com mais de 300 kg aos 12 meses —, o professor da USP alerta que a balança sozinha não garante o sucesso da prenhez. O escore corporal e a ciclicidade dependem diretamente do que vai no cocho.
A meta de 300 kg de peso vivo é a estrutura corporal mínima recomendada para garantir que a jovem matriz tenha bacia e capacidade de carregar uma gestação sem interromper seu próprio crescimento.
Essa categoria não pode depender apenas de capim. O uso de sal mineral proteinado, com consumo programado entre 0,1% e 0,2% do peso vivo, é indispensável para dar o aporte de energia e proteína necessário para que a novilha continue ciclando e confirme a gestação na IATF.
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A escolha do touro
O maior erro cometido pelos produtores no desafio de novilhas superprecoces não está na fêmea, mas na escolha do pai do bezerro. José Bento Ferraz faz uma recomendação rigorosa para evitar o maior pesadelo da cria: o parto distócico (difícil).
Ao realizar a IATF nessas novilhas de 12 meses, o produtor deve analisar minuciosamente o catálogo das centrais. Devem ser utilizados exclusivamente touros provados com régua baixa para peso ao nascer. O bezerro precisa nascer leve para passar com facilidade pelo canal do parto de uma matriz que ainda está em desenvolvimento físico, evitando a perda do bezerro ou, pior, a morte da novilha.
Orientação final do professor
Desafiar novilhas Nelore aos 12 meses é a forma mais rápida de aumentar o desfrute e a rentabilidade da fazenda de cria, encurtando o ciclo produtivo. No entanto, exige responsabilidade industrial. Trate essas bezerras como as verdadeiras “joias” da Agropecuária. Garanta o proteinado de transição no cocho, use sêmen de touros líderes para facilidade de parto e colha uma safra de bezerros precoces, saudáveis e pesados.
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