O Giro do Boi desta terça-feira (19) recebeu o Dr. Plínio Nastari, fundador e CEO da Datagro e ex-professor da FGV por 20 anos. Considerado uma das maiores autoridades mundiais em mercados agrícolas e bioenergia, o economista destacou que o Brasil vive uma era de ouro impulsionada pela engrenagem integrada entre agricultura, biocombustíveis e pecuária.
Ao analisar o imenso potencial de crescimento vertical do país sem a necessidade de avançar sobre áreas de preservação, Nastari cunhou a frase que resume o atual momento da nossa produção: “O Brasil em agropecuária é um livro aberto, cheio de páginas em branco”, sinalizando que o topo da eficiência produtiva e da segurança alimentar global ainda está por ser escrito pelos produtores nacionais.
Confira:
A engrenagem integrada e a explosão do confinamento
O Dr. Plínio Nastari enfatizou que a agricultura e a pecuária do Brasil não podem mais ser analisadas como cadeias isoladas, mas sim como um ecossistema único de geração de valor.
Transformar o grão (milho e sorgo) em etanol agrega de 80% a 100% de valor ao produto original dentro de casa. O resíduo nobre desse processo, os coprodutos DDG (seco) e WDG (úmido), retorna para o cocho para baratear a engorda do rebanho.
Atualmente, o gado terminado em cocho representa 22% dos abates nacionais. Nastari projeta que, impulsionado pela oferta massiva desses coprodutos de usinas, o confinamento responderá por 40% do abate no Brasil nos próximos anos.
Nos últimos 50 anos, a produção de grãos saltou de 47 milhões para mais de 350 milhões de toneladas, enquanto a área ocupada apenas dobrou. Paralelamente, a área de pastagens caiu de 192 para 160 milhões de hectares, liberando terra para a agricultura enquanto a produção de carne triplicou por meio da intensificação.
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O fenômeno do etanol de milho e sorgo
O crescimento dos biocombustíveis à base de grãos redesenhou a disponibilidade e o custo da ração animal para o pecuarista brasileiro. Em 2013, a produção nacional de etanol de milho era de meros 41 milhões de litros. Na safra atual (2026/2027), o país atinge a marca histórica de 12 bilhões de litros, representando quase 30% do biocombustível do país.
As estimativas indicam que esse volume ultrapassará 24 bilhões de litros na próxima década, dobrando a oferta de DDG e WDG para o mercado de proteína animal (bovina, suína e de aves).
O economista destacou o uso estratégico do WDG pelas propriedades próximas às usinas. Por dispensar o processo de secagem na indústria, ele chega ao cocho mais econômico e com altíssima palatabilidade.
Geopolítica global e protecionismo internacional
Diante do cenário de conflitos internacionais e da busca global por independência energética, o Brasil desponta como um parceiro estratégico inevitável, apesar das barreiras comerciais.
Nastari desbancou as constantes ameaças de sanções da União Europeia. “Não há país mais competitivo que o Brasil. Eles têm medo da nossa eficiência”. Pressionada pela escassez de energia limpa, a Comissão Europeia já sinaliza a intenção de misturar até 20% de etanol na gasolina do continente.
O erro das políticas públicas internacionais foi “eleger” tecnologias fechadas ou antigas, enquanto o Brasil manteve suas metas abertas à inovação tecnológica e baseadas puramente na ciência.
O agro do Brasil precisa superar o desafio de exportar apenas matérias-primas brutas — como ocorre com o couro wet blue, que é exportado barato e retorna caro como artigo de luxo da Itália — e focar no beneficiamento interno, vendendo ao mundo carne premium padronizada, alimentos finos e energia de alto valor. A melhor defesa contra narrativas externas e preconceitos é a transparência apoiada em dados reais e ciência de campo.
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