Nesta sexta-feira (17), o Giro do Boi encerrou a semana especial sobre a RIP (Recria Intensiva a Pasto) com uma revelação impactante do zootecnista Tiago Felipini, da Alcance Consultoria.
Segundo o especialista, o uso estratégico da tecnologia de irrigação e adubação pesada em uma pequena parcela da propriedade é capaz de verticalizar a produção de tal forma que o resultado impacta todo o balanço da fazenda.
Ao transformar apenas 2% da área útil em uma “fábrica de capim”, o produtor consegue dobrar a capacidade de suporte total, garantindo uma recria rápida, eficiente e com ganhos superiores a uma arroba por mês.
Confira:
O poder da tecnologia: irrigação e adubação
Thiago Felipini destaca que a irrigação é o degrau mais alto da intensificação na RIP, permitindo que o pecuarista “engane” o clima e mantenha a produtividade máxima mesmo durante a entressafra.
Enquanto o sistema extensivo mantém cerca de 1,5 cabeça por hectare, a área irrigada suporta de 8 a 14 animais por hectare. A irrigação posterga a queda de produção do capim (que ocorreria agora em abril/maio) até julho, garantindo que o gado continue ganhando peso enquanto a seca castiga os vizinhos.
Apesar do alto investimento, a arroba produzida neste sistema custa menos de R$ 200, um valor significativamente menor que o custo em pastos degradados, onde o baixo ganho de peso encarece a operação.
Resultados: o giro de 1 kg/dia

O objetivo da RIP super intensiva é a velocidade. Com pasto adubado e suplementação estratégica, o animal atinge o ápice de sua eficiência biológica:
- Ganho de peso: os machos mantêm um Ganho Médio Diário (GMD) superior a 1 kg/dia o ano todo.
- Três giros anuais: o sistema permite colocar 4 arrobas no animal em apenas 4 meses, possibilitando até três giros completos na mesma área por ano.
- Preparo para a terminação: o fechamento da recria entrega animais jovens e pesados, prontos para a TIP (Terminação Intensiva a Pasto) ou confinamento, tornando o ciclo final muito mais barato.
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Suplementação e blindagem sanitária

A aglomeração de até 14 animais por hectare exige um cuidado redobrado com a saúde do rebanho. Na RIP irrigada, o suplemento atua como um veículo de proteção.
A suplementação (geralmente 0,3% do peso vivo) carrega aditivos que protegem o sistema digestivo contra diarreias e parasitas, comuns em altas densidades. O limite de suplementação deve ser respeitado para evitar o “efeito substitutivo”, garantindo que o boi use o capim irrigado como base e não substitua a forragem pela ração, o que elevaria os custos.
A mensagem de Tiago Felipini é clara: a tecnologia da RIP irrigada permite diluir custos fixos e administrativos de forma sem precedentes. Intensificar uma pequena fração da fazenda não é apenas uma melhoria técnica, é uma mudança de patamar financeiro que prepara o produtor para o mercado global competitivo de 2026.
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