Nesta sexta-feira (17), o Giro do Boi respondeu a uma dúvida estratégica do pecuarista Fernando Fonseca, de Buritis (MG). O zootecnista Ricardo Abreu explica que, embora a preocupação com a consanguinidade seja o motivo principal da troca, manter um touro por tempo excessivo pode significar um atraso tecnológico e financeiro para a propriedade.
A renovação da “frota” de reprodutores deve ser encarada como uma atualização de software: se você não troca, sua produção fica obsoleta diante dos avanços genéticos do setor.
Confira:
O ciclo de 8 anos e o risco de consanguinidade
Fernando utiliza seus reprodutores por oito anos para evitar que o pai cubra a própria filha. Matematicamente, o zootecnista Ricardo Abreu confirma que esse prazo está no limite do aceitável, mas exige atenção redobrada à linha do tempo:
- A cronologia do “incesto”: o touro inicia o trabalho aos 2 anos. Suas primeiras filhas nascem quando ele tem 3 anos e estarão aptas à reprodução quando ele atingir 5 ou 6 anos.
- O limite seguro: manter o animal até os 8 anos significa que ele trabalhou por cerca de 6 safras. Após o 6º ano de uso na mesma invernada, o risco de cobertura de filhas aumenta drasticamente, o que pode causar anomalias genéticas e perda de vigor no rebanho.
Progresso genético versus valor de descarte
Manter um touro por uma década é manter uma genética “congelada”. A substituição estratégica traz benefícios que vão além da saúde reprodutiva.
Um reprodutor nascido em 2016 não possui os mesmos índices de precocidade e carcaça de um animal da safra 2024. Ao trocar o touro, você insere anos de melhoramento genético em uma única compra.
Um animal de 900 kg descartado para o frigorífico hoje rende entre R$ 8.000 e R$ 9.000. Esse valor de “vasilhame” é um subsídio importante para a aquisição de um touro jovem e provado, que custa entre R$ 25 mil e R$ 30 mil.
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A estratégia do repasse com IATF
Para otimizar a produtividade em Buritis (MG), a recomendação é combinar a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) com o uso de touros jovens para o repasse. A IATF concentra os nascimentos no “cedo”. Os touros de repasse garantem que as vacas que não emprenharam na inseminação não fiquem vazias.
O ideal é renovar entre 15% e 25% da torama anualmente, garantindo que o vigor físico e a libido do rebanho de machos estejam sempre no auge.
Manter o touro por 8 anos é o limite de segurança para evitar a consanguinidade, mas para acelerar o ganho de peso ao desmame na Fazenda Alexandrino Fonseca, o ideal é reduzir esse ciclo para 6 ou 7 anos. Assim, você blinda seu rebanho contra o “incesto” e coloca sangue novo e mais produtivo dentro da sua vacada de forma muito mais rápida.
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