Você tem balança na fazenda? Especialista explica importância de pesar o gado; confira

Gado passando por balança remota. Foto: Divulgação

Uma das maiores carências da pecuária brasileira é a falta de medição. Dados alarmantes revelam que, de cada dez fazendas no Brasil, apenas uma possui balança e menos de duas contam com tronco de contenção.

Para o engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo do Giro do Boi e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, esse cenário compromete o lucro, pois “quem não mede, não gerencia”.

Pesar o gado com regularidade é a única forma de abandonar o “achismo” e transformar a propriedade em uma empresa eficiente. O peso é o indicador definitivo para saber se o investimento em pastagem, genética e suplementação está, de fato, trazendo retorno financeiro.

Confira:

O GMD como termômetro do negócio

O acompanhamento do Ganho Médio Diário (GMD) é essencial para corrigir a rota do manejo antes que o prejuízo aconteça. Segundo Wagner Pires, a pesagem deve ser feita, no mínimo, quatro vezes ao ano (a cada três meses), permitindo analisar o desempenho em cada estação:

  • Nas águas: com pasto abundante, a meta deve ser um GMD alto, acima de 800g/dia. Se o número for inferior, é um sinal de alerta para falhas na genética, sanidade ou manejo do capim.
  • Na seca: o objetivo é evitar o “boi sanfona” (aquele que perde na seca o que ganhou nas águas). A meta estratégica é manter um ganho positivo, em torno de 400g/dia, através de suplementação precisa.

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Do curral para a mesa de decisão

Para produzir mais arrobas por hectare gastando o mínimo possível, o pecuarista deve atuar como um gestor de dados. O gado que não ganha peso representa um custo fixo sem retorno, e identificá-lo rapidamente é vital para a saúde financeira do negócio.

  1. Anote tudo: além do peso, registre nascimentos, mortes (e suas causas), consumo de sal e uso de medicamentos.
  2. Monitore a pluviometria: saber o volume exato de chuva permite antecipar o fim das águas e preparar o estoque de comida para a seca.
  3. Tecnologia acessível: não é necessário um sistema complexo; o uso de cadernos ou aplicativos simples de celular já garante que a informação saia do curral e fundamente decisões estratégicas.

O caminho para a lucratividade

Ao cruzar os dados de pesagem com a área da fazenda, o produtor descobre a produção de arrobas por hectare/ano. Esse número é o que permite discutir o futuro da propriedade com consultores técnicos de forma profissional. “O boi que não ganha peso é um funcionário que recebe salário e não trabalha. Identifique-o e tome uma atitude!”, afirma Pires.

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