No “Giro do Boi Responde” desta quinta-feira (21), o zootecnista Guilherme Marquez respondeu à dúvida do produtor Paulo Santana, de Poções, na Bahia. Ele enviou o registro fotográfico do reprodutor que utiliza em sua propriedade leiteira e quis saber se o animal seria uma boa opção para o cruzamento com suas vacas Girolando.
O veredito serviu como um alerta fundamental para toda a bacia leiteira do Nordeste sobre os riscos de utilizar no rebanho um reprodutor sem origem conhecida ou avaliação genética comprovada.
Confira:
O veredito do especialista: ‘eu trocaria o touro’
Ao avaliar as imagens enviadas por Paulo Santana, Guilherme Marquez realizou uma análise morfológica detalhada do animal e foi direto em sua recomendação. O reprodutor apresenta características físicas marcantes de Zebu, como orelhas longas e cupim proeminente, assemelhando-se visualmente ao Gir Leiteiro ou ao Gir Padrão.
Cruzar um touro com esse padrão racial com uma vacada que já é Girolando, sob as condições de clima e pastagem da Bahia, não trará o resultado esperado. O cruzamento tende a despadronizar o grau de sangue do plantel, reduzindo a eficiência leiteira das futuras crias.
Sem saber a procedência, o produtor joga no escuro. “Ele vem de família produtora de leite? A mãe dele era uma grande produtora? O pai tem prova positiva?”, questionou o zootecnista. Sem essas respostas, o risco de prejuízo é altíssimo.
O impacto silencioso do touro (a regra dos 50%)
Muitos pecuaristas pecam ao escolher o reprodutor “no olho” ou pelo preço baixo, esquecendo-se do impacto que o animal deixará na fazenda pelas próximas gerações. Exatamente 50% de toda a carga genética das bezerras que vão nascer na propriedade vem exclusivamente do touro.
Um touro com genética ruim ou desconhecida tem o poder de derrubar a média de lactação de uma fazenda inteira em poucos anos. Por outro lado, um touro provado eleva o patamar do negócio.
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A estratégia de transição: vender para investir em IATF
Para que o produtor baiano não fique no prejuízo financeiro, Guilherme Marquez desenhou um plano de ação prático de capitalização e ganho genético rápido. A orientação é retirar o touro zebuíno da vacada imediatamente e vendê-lo para o mercado comercial ou abate.
O dinheiro arrecadado com a venda do animal deve ser integralmente revertido na compra de protocolos de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e sêmen de alta qualidade.
O foco deve ser o uso de sêmen de touros Girolando 5/8 provados ou com informações genômicas robustas. Essa composição racial é a mais indicada para o clima tropical da Bahia, pois une a rusticidade necessária à alta persistência de lactação.
Multiplicar cabeças vs. melhorar o gado
O produtor de leite precisa decidir qual é o verdadeiro objetivo do seu negócio. O pecuarista apenas “multiplica” animais. Ele emprenha a vaca com qualquer touro, desmama o bezerro e não vê evolução produtiva ao longo dos anos.
O produtor planeja o acasalamento pensando na bezerra como a futura matriz que vai pagar as contas da propriedade. A inseminação com touros provados garante úberes mais sadios, maior longevidade e um salto na produção de leite por vaca/dia.
Veredito do especialista
Ou seja, retirar esse touro do pasto e investir em inseminação artificial com touros provados não é um gasto, é o único caminho para dar um salto de patamar na sua atividade leiteira. Pare de apenas reproduzir o seu rebanho e passe a fazer vacas melhores.
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