Tecnologia e inteligência artificial modernizam o transporte boiadeiro no Brasil

Uboi (Foto: Divulgação/JBS).

A evolução da logística pecuária no Brasil alcançou um novo patamar em 2026, consolidando a integração entre o campo e a indústria com máxima eficiência.

Através do uso intensivo de tecnologia e ferramentas de inteligência artificial, o transporte de gado, realizado por plataformas inovadoras como a Uboi, deixou de ser apenas um deslocamento para se tornar uma operação estratégica de preservação de valor e respeito ao bem-estar animal.

Em entrevista ao Giro do Boi, Leandro Ferraz, gerente de risco da JBS, afirmou que o setor superou marcas históricas em 2025, transportando mais de 1 milhão de cabeças e percorrendo 10 milhões de quilômetros, tudo sob monitoramento 100% via satélite, o que garantiu uma década inteira sem perdas de carga por roubo.

Confira:

Inteligência artificial e o monitoramento de risco

O grande diferencial tecnológico do transporte moderno está na segurança ativa e no cuidado com a condução. A inteligência artificial atua como um “copiloto” digital, monitorando cada quilômetro rodado:

  • Sensor de fadiga: câmeras inteligentes monitoram a íris e o comportamento do motorista em tempo real. O sistema detecta sinais de sonolência, bocejos ou distrações (como o uso de celular), emitindo alertas sonoros imediatos para prevenir acidentes.
  • Telemetria avançada: o sistema analisa freadas bruscas, curvas acentuadas e acelerações, gerando um ranking de performance para o motorista ao final de cada viagem.
  • Rotograma falado: avisos automáticos alertam o condutor sobre perigos na pista, como pontes estreitas ou curvas perigosas, quilômetros antes do ponto crítico.

Tecnologia a serviço do bem-estar animal

Para garantir que o investimento em genética e nutrição não se perca no trajeto, as carretas boiadeiras foram transformadas em ambientes controlados:

  • Conforto térmico: sistemas de nebulização integrados reduzem a temperatura interna em até 7°C, mitigando o estresse calórico e a perda de peso durante a viagem.
  • Design inovador: o uso de implementos em alumínio torna os veículos mais leves e arejados. Além disso, a elevação da altura das carretas para 4,70m evita que animais maiores sofram lesões no lombo (contrafilé) contra o teto.
  • Embarque sem estresse: o uso de elevadores hidráulicos elimina a necessidade de rampas íngremes e evita pancadas, preservando a integridade da carcaça.

Gestão estratégica e redução de custos

A modernização logística também impacta diretamente no bolso do pecuarista. A tecnologia de roteirização permite a “Logística de Duas Mãos”, onde se sincroniza a entrega de gado magro com o embarque de gado gordo. Essa otimização do frete pode gerar uma economia de até 40% nos custos.

Leandro Ferraz alerta que o uso de transportes informais, conhecidos como “pau velho”, é um risco financeiro inaceitável. Uma única carreta transporta cerca de R$ 350 mil em patrimônio; hematomas causados por transporte inadequado podem resultar na perda de até 10 kg de carne por animal no “toalete” do frigorífico.

Dica para um embarque de sucesso

Para maximizar o rendimento de carcaça, o planejamento deve ser antecipado:

  1. Feche o gado um dia antes do transporte.
  2. Garanta hidratação constante até o momento do embarque.
  3. Programe a saída para as primeiras horas da manhã, assegurando que os animais cheguem ao frigorífico ainda no final da tarde para o descanso pré-abate.
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