Sul entra em alerta para seca enquanto Centro-Norte enfrenta excesso de chuva

Na previsão do tempo desta terça-feira (24), o mapa climático do Brasil segue desenhando dois extremos: enquanto o Centro-Norte e o Sudeste lidam com o excesso de umidade que satura o solo, o extremo Sul do país enfrenta um “alerta vermelho” para seca e focos de incêndio, exigindo estratégias de sobrevivência para o gado.

Em Ponta Porã (MS), os próximos 10 dias serão de pouca água. As chuvas previstas para terça e quarta (25) são isoladas e de baixo volume, sem força para repor o solo. No entanto, as temperaturas seguem elevadas.

Um alívio térmico mais consistente só é esperado para a virada da quinzena de março, com a chegada da transição para o outono. A previsão é de 100 milímetros acumulados em um período de 20 dias. Até lá, maneje o pasto com cautela para evitar a degradação por sobrecarga.

Diferente do Sul, a região de Juína, no noroeste mato-grossense, enfrenta o pico da umidade. Terça, quarta e quinta-feira serão de chuva persistente, o que mantém as máximas na casa dos 30°C. O solo encharcado exige atenção às estradas internas da fazenda para evitar o travamento do transporte de insumos.

Confira a previsão completa com o meteorologista Arthur Müller:

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Mapa de acumulados críticos (próximos 5 dias)

O corredor de umidade despeja volumes significativos, beneficiando o pasto, mas prejudicando a lida. Veja a previsão por região:

  • Minas, Goiás e Centro-Oeste: previsão de 100 a 150 milímetros. O solo já está saturado, o que aumenta o risco de atoleiros e exige cuidado redobrado com a higiene nos currais.
  • Centro-Sul do Pará: volumes de 100 a 150 milímetros podem comprometer a logística de transporte de gado e o recebimento de suplementação.
  • Interior do Nordeste: chuvas em bom volume continuam favorecendo a recuperação histórica das pastagens na região.
  • Rio Grande do Sul: o tempo seco e quente persiste. Alerta vermelho para o risco altíssimo de incêndios e estresse hídrico severo no rebanho.

Orientação ao produtor

A estratégia da semana deve ser focada em preservação de recursos e infraestrutura:

  1. Vigilância no RS: se você está no Rio Grande do Sul, a prioridade é o fogo e a água. Limpe aceiros preventivamente e verifique diariamente se os bebedouros e fontes naturais de água suportam o consumo do gado sob calor intenso.
  2. Manejo de Cocho (Minas Gerais, Goiás e Pará): com volumes de até 150 milímetros, o desperdício de sal mineral e proteico no cocho é o principal ralo de lucro. Garanta que as coberturas estejam íntegras e a drenagem ao redor do cocho evite o acúmulo de lama.
  3. Cautela em Ponta Porã (MS): durante este período de restrição, evite pastejos muito baixos. O pasto estressado pela seca demora muito mais para se recuperar se for “rapado” agora.

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