A utilização de raças bimestiças sobre fêmeas F1 é uma das estratégias mais inteligentes para quem busca maximizar o ganho de peso e a heterose no Centro-Oeste.
Respondendo ao pecuarista Pedro Manoel Corrêa da Costa, de Terenos (MS), o zootecnista e especialista em genética Alexandre Zadra afirma que o uso de Santa Gertrudis em vacas meio-sangue Angus x Nelore não só funciona, como é uma das combinações mais eficientes para a produção de carcaças pesadas.
O segredo deste sucesso reside na complementaridade entre a habilidade materna da fêmea e a musculatura característica da raça Santa Gertrudis.
Confira:
O “casamento” genético e a heterose
A fêmea F1 (Angus x Nelore) é a “mãe ideal” para este sistema devido à sua precocidade sexual e excelente produção de leite. Ao introduzir o Santa Gertrudis, o produtor promove um choque de sangue estratégico:
- Complementaridade de porte: enquanto a fêmea F1 possui porte médio (herança britânica), o Santa Gertrudis (uma raça sintética formada por 5/8 Shorthorn e 3/8 Zebu) traz grande porte e musculatura forte, “esticando” a carcaça do produto final.
- Manutenção do vigor híbrido: por ser um tricross que mantém uma base zebuína importante, o animal resultante preserva a rusticidade necessária para o clima do Mato Grosso do Sul, sem perder o desempenho produtivo.
Perfil do produto final: o que esperar no curral?
Ao adotar o Santa Gertrudis neste cruzamento, o pecuarista deve estar preparado para uma progênie com as seguintes características:
- Pelagem e adaptação: aproximadamente 80% dos animais nascerão pretos e 20% vermelhos. O pelo costuma ser curto e liso, o que facilita a troca de calor com o ambiente.
- Peso e carcaça: os animais são verdadeiras “máquinas de ganhar peso”, apresentando alto rendimento de carcaça no frigorífico.
- Fenótipo: dependendo da linhagem do touro, alguns animais podem apresentar chifres, mas a maioria mantém o padrão mocho ou calo.
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Exigência nutricional: o “pulo do gato”
Zadra faz um alerta importante: animais com 56% de sangue europeu (proveniente do Angus e do Shorthorn contido no Santa Gertrudis) têm um metabolismo acelerado.
- Suplementação necessária: eles “não aceitam desaforo” no pasto. Para que expressem seu potencial, a recria deve ser caprichada, preferencialmente com o uso de proteinado (0,3% a 0,5% do peso vivo) diariamente.
- Curva de crescimento: o objetivo é garantir que o animal nunca pare de crescer, aproveitando a eficiência alimentar do tricross para atingir o abate precocemente.
Estratégia terminal: foco no abate
Nesse sistema, o Santa Gertrudis atua como uma raça terminal. Isso significa que o planejamento deve prever o abate de 100% da progênie (machos e fêmeas).
- Objetivo comercial: aproveitar a fertilidade da vaca F1 para gerar bezerros pesados que alcancem as 20 arrobas aos 24 meses ou menos.
- Padronização: o resultado é um lote uniforme, com carcaças que atendem aos padrões de qualidade exigidos pela indústria frigorífica moderna.
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