A chegada da estiagem exige do produtor rural um planejamento estratégico para enfrentar o período, uma vez que a previsão é de seca prolongada e intensificada pelo fenômeno El Niño.
Em entrevista ao Giro do Boi, o programa recebeu o Dr. Iorrano Cidrini, doutor em zootecnia e consultor técnico da Elanco Saúde e Nutrição Animal. Egresso da escola científica da APTA Colina (berço do conceito do Boi 777), o especialista deu ênfase à principal manchete do dia: as ferramentas de RIP (Recria Intensiva a Pasto) e TIP (Terminação Intensiva a Pasto) devem ganhar espaço imediato nas fazendas para blindar a produção contra o fantasma do “boi sanfona”, garantindo o ganho de peso contínuo mesmo com o pasto completamente seco.
Confira:
A engenharia da RIP e o perigo do “boi bolinha”
A RIP é uma tecnologia extraordinária para acelerar o crescimento de garrotes e novilhas durante a seca, mas o Dr. Iorrano faz um alerta rigoroso sobre a precisão cirúrgica necessária na formulação da ração para não comprometer o futuro do animal.
O foco da recria é fazer o animal construir carcaça magra (músculos e ossos). Se o produtor errar a mão e fornecer energia em excesso (milho, sorgo) com baixa inclusão de proteína, ele criará o chamado “boi bolinha”.
O que é o boi bolinha?
É o animal que antecipa a deposição de gordura na carcaça antes de estruturar seu esqueleto. Ele “engorda” cedo, encurta seu ciclo de crescimento e limita sua capacidade de acumular carcaça pesada lá na frente, seja no confinamento ou na TIP.
O produtor deve monitorar rigidamente o teor de Proteína Bruta (PB) da dieta, avaliando o ganho médio diário (GMD) na balança e o Escore de Condição Corporal (ECC) no olho, garantindo que o garrote cresça forte e musculoso, mas sem gordura aparente precoce.
A transição para a TIP e a meta de 120 arrobas por hectare
Quando o animal atinge a maturidade estrutural (geralmente próximo aos 450 kg), o manejo é invertido para a entrada na fase de acabamento na TIP. O foco passa a ser a deposição de gordura e o acabamento da carcaça. A formulação proteica da recria dá lugar a uma dieta altamente energética (com consumo entre 1,5% e 2,0% do peso vivo) e com menor teor de proteína.
A TIP não compete com o confinamento tradicional, mas o complementa. Ela exige um capital imobilizado muito menor — dispensando estruturas milionárias e exigindo apenas cocho de linha no pasto —, consumindo de 100 kg a 110 kg de ração para produzir uma arroba com acabamento idêntico ao do cocho fechado.
Enquanto dados da APTA consolidam a viabilidade de produzir 120 arrobas por hectare/ano com a TIP, o Dr. Iorrano citou clientes da Elanco atingindo marcas extraordinárias de 160 a 200 arrobas/ha/ano, trabalhando com lotações de 8 a 12 animais por hectare na seca através do uso estratégico de coprodutos.
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Os erros mais comuns no manejo da estiagem
Ver o pasto amarelar faz parte do ciclo tropical, mas o pecuarista moderno não pode aceitar a perda de peso do rebanho. O zootecnista aponta duas falhas graves na entressafra:
- Falta de massa (“bucha”): para a RIP ou TIP funcionarem na seca, é obrigatório ter volume de capim disponível no piquete. A qualidade nutricional será baixa, mas o capim seco servirá como a fonte essencial de fibra para o funcionamento do rúmen.
- O cocho desamparado: o segundo erro é não fornecer o suplemento correto para o gado digerir essa fibra. O animal precisa de um aporte químico de nitrogênio/proteína no cocho para que as bactérias ruminais consigam quebrar o capim seco e lignificado.
Escolha do capim e o sucesso da lotação contínua
Não existe capim milagroso para a seca; o segredo está na estrutura da planta. O produtor deve buscar cultivares com maior proporção de folhas e menor alongamento de colmo (talo grosso). As braquiárias (como Marandu e Decumbens) e a grama-estrela apresentam excelente resposta biológica na TIP.
Diferente das águas, onde o sistema rotacionado funciona bem, na seca o manejo de lotação contínua é o mais indicado e eficiente. Como o pasto já está seco e não vai mudar de estrutura, a lotação contínua mantém o consumo do cocho perfeitamente padronizado.
Tecnologia de rúmen: 50 anos de Rumensin
A Elanco celebra meio século do Rumensin (Monensina Sódica), o aditivo ionóforo mais utilizado do planeta, essencial para dar segurança ao alto consumo de concentrado na TIP.
Estudos científicos comprovam que o Rumensin otimiza a fermentação ruminal, reduzindo em 15% a emissão diária de gás metano pelos bovinos. O aditivo atua como um regulador de apetite, cadenciando as visitas do boi ao cocho. Isso mitiga distúrbios metabólicos severos como a acidose ruminal, timpanismo e problemas de casco.
Na fase de recria, o Rumensin elimina o desafio da coccidiose (diarreia negra), protegendo o trato intestinal da bezerrada. Outro destaque é o Zimprova (Narasina), focado em melhorar o GMD da bezerrada e o escore de vacas paridas a pasto.
A chegada da seca exige que o pecuarista jogue na defesa com a estrutura de pasto e no ataque com a nutrição de precisão. Unir o manejo correto com aditivos moduladores de rúmen é o caminho mais seguro para garantir o lucro e impedir que o gado perca peso neste El Niño.
Para garantir seu exemplar digital (PDF) do livro de 50 anos do Rumensin ou tirar dúvidas com o time técnico da Elanco, envie um e-mail direto para o consultor: iorrano.cidrini@elancoah.com.
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