Por quê atrasar a primeira monta pode preservar matrizes férteis e longevas? Especialista explica

Foto: Reprodução.

No setor de cria, o descarte precoce de novilhas primíparas (de primeira cria) pode ser o maior erro estratégico cometido pelo pecuarista em 2026.

Em entrevista ao Giro do Boi, o médico veterinário Izaias Claro Junior, da Select Sires do Brasil, afirmou que muitos criadores estão eliminando a melhor genética de suas fazendas devido a uma falha de manejo. Segundo ele, a solução para garantir matrizes produtivas e duradouras reside em um ajuste simples: atrasar propositalmente a primeira monta das novilhas.

Confira:

A estratégia de ouro: atrasar em 30 a 40 dias

Para preservar a vida útil da fêmea e garantir sua reconcepção, a recomendação técnica é clara:

  • Atraso proposital: na estação de monta das novilhas (primeira monta), deve-se iniciar o protocolo de inseminação de 30 a 40 dias após o restante do rebanho.
  • O benefício do escore: ao parir um pouco mais tarde no ano seguinte, essa fêmea terá menos dias de desgaste pós-parto e chegará à segunda estação com um Escore de Condição Corporal (ECC) superior.
  • Resultado na IATF: com melhor condição corporal, a probabilidade de ela emprenhar logo na primeira IATF da reconcepção aumenta drasticamente, economizando recursos e mantendo o animal no plantel.

O erro do descarte: protegendo a melhor genética

O renomado geneticista Professor Zequinha (José Luiz M. Vasconcelos) levanta um questionamento que desafia o manejo tradicional:

  • As “atrasadas” são as melhores: cerca de 90% das novilhas que pariram mais tarde e apresentam ótimo escore corporal são, na verdade, os animais de maior potencial genético.
  • Punição injusta: muitas vezes, essas fêmeas são descartadas porque “falharam” na reconcepção imediata. No entanto, elas falham porque investiram toda a energia no crescimento e no leite para o bezerro. O descarte por esse motivo interrompe o progresso genético da propriedade de forma desnecessária.

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Organização de lotes para eficiência máxima

Para aplicar essa lógica em 2026, o manejo de curral deve seguir uma sequência estratégica para a IATF:

  1. Primíparas (1º lote): entram primeiro, pois já tiveram o parto ajustado e estão com bom escore.
  2. Secundíparas: matrizes de segunda cria que ainda demandam aporte nutricional.
  3. Novilhas (nulíparas): Iniciam a primeira monta com o atraso de 30 a 40 dias em relação ao início oficial.
  4. Multíparas e vacas solteiras: encerram o ciclo de manejo, pois já possuem eficiência provada ou facilidade de ciclar.

Nutrição e sanidade como alicerces

A estratégia reprodutiva só funciona se o suporte básico for garantido:

  • Suplementação pré-parto: é mais eficiente e barato suplementar a fêmea antes do parto para garantir o escore, pois, após parir, a energia será prioritariamente desviada para a produção de leite.
  • Protocolo sanitário: a vacinação rigorosa contra doenças reprodutivas (Brucelose, IBR, BVD e Leptospirose) é indispensável para evitar perdas e assegurar a longevidade da matriz.

O segredo da pecuária de cria moderna é manter a fêmea fértil por muitos anos. Ao ajustar o calendário da primeira monta, o produtor protege seu investimento e acelera a evolução do rebanho.

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