Como fazer piquetes em áreas montanhosas? Especialista orienta

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Manejar gado em topografias acidentadas é um dos maiores desafios da pecuária, exigindo estratégias que unam produtividade e conservação ambiental.

Respondendo ao produtor Sérgio Murilo Seperloni, de Arapongas (PR), a zootecnista e professora da UFSJ, Janaina Martuscello, destaca que o segredo para o sucesso em áreas de morro está no planejamento inteligente dos piquetes, evitando a erosão e garantindo que o gado ganhe peso mesmo em terrenos difíceis.

Confira:

A regra de ouro: divisões em curva de nível

O erro mais comum e perigoso em áreas montanhosas é instalar cercas que cortam o morro verticalmente (“morro abaixo”).

As cercas dos piquetes devem obrigatoriamente acompanhar as curvas de nível. Isso evita que os animais criem trilhas verticais que, com a chuva, se transformam em sulcos de erosão e voçorocas.

O desenho do piquete deve ser planejado para que o gado caminhe lateralmente pelo morro, distribuindo o impacto das patas e preservando a estrutura do solo.

Escolha do capim: o “tapete” de proteção

Em morrarias, o tipo de forrageira é o que sustenta a terra. A especialista recomenda evitar plantas que crescem em touceiras isoladas (como o Mombaça), que deixam o solo exposto entre os “tufos”.

Prefira capins de crescimento decumbente ou estolonífero, como a Brachiaria decumbens ou a humidicola. Essas variedades formam um “tapete” denso que protege a superfície contra o impacto da chuva e utiliza suas raízes para segurar a terra, funcionando como uma barreira física contra a lixiviação.

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Água e sombra: estratégia contra a erosão

O posicionamento dos recursos é vital para evitar que o gado desgaste excessivamente o terreno. Não concentre a água em um único ponto distante. Isso obriga o rebanho a percorrer longos trajetos, criando os chamados “carreiros”, que são o ponto de partida para a degradação do morro.

Pontos de sombra bem distribuídos evitam a aglomeração de animais em áreas críticas, reduzindo a pressão sobre o solo em pontos específicos.

Tecnologia e divisão inteligente em 2026

A transformação tecnológica trouxe ferramentas que facilitam o manejo onde o trator não chega:

  • Cerca elétrica: é a solução mais barata e prática para dividir piquetes em morros, sendo de fácil instalação e manutenção em terrenos íngremes.
  • Drones de adubação: uma das grandes tendências de 2026, os drones permitem levar nutrientes para o topo dos morros sem riscos operacionais, aumentando a produção de massa verde e a taxa de lotação.

A combinação de piquetes em nível, escolha do capim correto e o uso de cercas elétricas transforma o morro em uma área altamente produtiva e sustentável. Ao cuidar do solo, você garante a longevidade da pastagem e a engorda do rebanho.

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