Na pecuária de cria, as fêmeas representam o maior patrimônio de uma propriedade. Por isso, a escolha do sêmen para a IATF não pode focar apenas em ganho de peso, mas em como esse touro irá influenciar as suas futuras matrizes.
Respondendo ao Júlio César, de Mundo Novo (MT), o zootecnista e consultor Ricardo Abreu destaca que o “pai de fêmeas” ideal deve transmitir equilíbrio entre fertilidade, habilidade materna e longevidade.
Confira:
O currículo materno e a longevidade
Antes de mergulhar nos números, o produtor deve analisar a história da família do touro. A genética para fertilidade e cuidado com a cria é transmitida com forte herdabilidade.
Verifique o histórico da mãe do touro. Uma vaca que desmamou dez ou mais bezerros na fazenda de origem é a prova viva de rusticidade e eficiência reprodutiva que você deseja nas suas novilhas. Avalie também se os irmãos e irmãs do touro estão acima da média do grupo de manejo em que foram criados.
Indicadores genéticos
Ao consultar os sumários das centrais em 2026, Júlio deve priorizar as DEPs (Diferença Esperada na Prolegênie) que impactam diretamente na produtividade da fêmea:
- Habilidade materna (efeito materno aos 120 e 210 dias): este indicador reflete a capacidade da vaca em produzir leite e cuidar do bezerro até o desmame.
- IPP (Idade ao Primeiro Parto): fundamental para selecionar filhas que entram em reprodução precocemente, aumentando a lucratividade por vida útil da matriz.
- Duração da gestação: touros que transmitem gestações mais curtas favorecem partos menos traumáticos e dão à vaca mais tempo para se recuperar e emprenhar novamente na mesma estação.
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Confiabilidade: touros jovens vs. provados
A decisão entre um touro jovem ou um provado deve considerar a acurácia, que é o grau de segurança daquela informação genética:
- Touros provados: possuem alta acurácia porque já têm filhas produzindo no campo. É a escolha mais segura para quem busca confirmar precocidade e intervalo entre partos curto.
- Touros jovens: oferecem o que há de mais moderno em melhoramento genético (predições baseadas em genômica e pedigree), mas com um risco ligeiramente maior por não terem progênie em lactação.
Características visuais e funcionalidade no pasto
Além dos dados de papel, a futura matriz precisa ser funcional. Ricardo Abreu ressalta que a fertilidade é a característica que “paga as contas”, mas outros pontos são essenciais:
- Temperamento dócil: matrizes calmas facilitam o manejo de IATF e cuidam melhor dos bezerros.
- Habilidade de locomoção: boas fêmeas precisam de bons aprumos para caminhar no pasto e buscar alimento.
Dica de ouro: Não escolha o touro apenas pela carcaça. O touro focado em reposição deve entregar o “pacote completo”: filhas que emprenham cedo, dão leite e permanecem no rebanho por muito tempo.
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