‘Pasto mal manejado custa mais caro que um confinamento’, diz especialista

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

Nesta segunda-feira (27), o Giro do Boi trouxe um debate crucial para a rentabilidade da pecuária intensiva: a eficiência no uso das gramíneas tropicais.

Em entrevista, o mestre em tecnologia de alimentos Ivan Júnior, gerente executivo de marcas da Friboi, destacou que a vocação brasileira para o “boi verde” é um diferencial competitivo mundial, mas deixou um alerta severo: manter o pasto sem o devido manejo de altura e adubação gera um custo de produção invisível que pode superar os gastos de um confinamento de alta performance.

Confira:

A eficiência do pasto: gestão ou prejuízo?

A frase central do dia, “pasto mal manejado custa mais caro que um confinamento eficiente”, reflete a mudança de mentalidade necessária no campo. O pasto não deve ser visto apenas como uma área de soltura, mas como uma colheita que exige precisão.

Quando o produtor ignora as alturas de entrada e saída do gado, ele compromete a rebrota e a qualidade nutricional. Isso atrasa o ciclo do animal, aumentando o custo fixo por arroba produzida.

A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) surge como a solução para aliar a economia do capim com a velocidade do grão. Esse sistema produz uma arroba mais barata e garante melhor margem, desde que a forragem seja tratada com o rigor de uma lavoura.

O uso estratégico de suplementos (como o DDG) no pasto permite que o Brasil entregue carcaças com acabamento de grão, mas com o selo de sustentabilidade e os benefícios nutricionais das pastagens.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!

Atributos do “boi verde” e diferenciais nutricionais

O manejo correto das pastagens tropicais não melhora apenas o bolso do produtor, mas também a qualidade da proteína final, criando o chamado “terroir” brasileiro.

Estudos indicam que o gado de pasto possui maior concentração de antioxidantes (Vitamina E) e uma proporção de Ômega-3 e Ômega-6 mais equilibrada para o consumo humano.

A gordura amarelada da carne brasileira é uma assinatura de origem. Ela indica o acúmulo de betacarotenos presentes no capim verde, sendo um selo visual de que o animal foi criado de forma natural.

Enquanto mercados como o americano buscam maturações artificiais, a carne de pasto brasileira já possui naturalmente um sabor mais ferroso e intenso.

O mercado gourmet e a carne de origem

O Brasil deixou de ser um exportador de “carne ingrediente” para competir no mercado gourmet com marcas premium que exigem constância e padronização.

  • Marcas estratégicas: linhas como a Maturatta focam no custo-benefício para o varejo, enquanto a 1953 e a Black Friboi atendem o food service de luxo, exigindo maciez absoluta.
  • Vácuo no mercado mundial: com os EUA reduzindo sua oferta, a carne de pasto brasileira, atrelada a protocolos de genética e sanidade, tem uma oportunidade única de consolidar sua soberania global como uma carne de steak.

A pecuária intensiva a pasto é o grande salto da produção brasileira. Como resumiu Ivan Júnior, o lucro está na associação estratégica: recria a campo e terminação suplementada. O produtor que domina o manejo das gramíneas tropicais entrega o “boi verde” que o mundo deseja consumir, com a maciez que o mercado gourmet exige.

News Giro do Boi no Zap!

Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.

Rolar para cima