‘Os confinamentos estão vivenciando excelentes oportunidades em relação ao custo de produção’, diz especialista

Foto: Divulgação.

O Giro do Boi desta sexta-feira (22) trouxe como tema central a arrancada histórica da engorda intensiva no país. O setor se prepara para atingir o recorde absoluto de 10 milhões de cabeças terminadas em cocho em todo o território nacional.

Em entrevista, o engenheiro de produção Ricardo Baldini, gerente dos confinamentos da JBS para os estados de Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, deu ênfase à principal manchete do dia: a combinação de grãos mais baratos na safrinha (como milho e sorgo) abriu uma janela única de rentabilidade, permitindo que os confinamentos operem com um custo de produção extremamente atrativo e margens líquidas estimadas entre 3,5% e 4%.

Confira:

O salto produtivo no Mato Grosso e o alerta do El Niño

O Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (IMEA) confirmou que o Mato Grosso segue como o principal motor dos confinamentos no país, apresentando um crescimento avassalador.

O estado projeta expandir em mais de 55% o seu volume de gado confinado em relação ao ano anterior, ultrapassando a marca de 2 milhões de animais no cocho em 2026.

Além do custo de produção favorável, o crescimento é impulsionado pela urgência climática. A previsão de uma estiagem severa e prolongada devido ao fenômeno El Niño obriga o pecuarista a retirar o gado do pasto para proteger a fazenda, tornando a terminação intensiva a melhor saída estratégica para o período de seca.

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Prateleira de contratos com desembolso zero nos boitéis

Para os pecuaristas que não possuem estrutura de cocho própria nas fazendas, os boitéis (confinamentos terceirizados) surgem como uma ferramenta de expansão logística que atende desde pequenos até grandes projetos.

O grande atrativo é o desembolso zero: o produtor não paga nada na entrada ou durante o trato, e todos os custos são faturados apenas no acerto do frigorífico após o abate.

Ricardo Baldini detalhou as três modalidades flexíveis de contrato disponíveis:

  • Diária tradicional: o gado é pesado na entrada e enquadrado em uma tabela fixa com base no peso inicial e padrão racial. O valor diário definido permanece imutável até a saída do lote.
  • Arroba produzida: segue a mesma lógica de tabela racial e de peso de entrada, mas o produtor paga um valor fixo apenas pelas arrobas que o animal efetivamente ganhou dentro do confinamento.
  • Matéria seca (consumo real): o produtor assume o custo operacional fixo por cabeça/dia somado ao valor exato dos quilos de ração (matéria seca) efetivamente consumidos pelo lote no cocho.

A estrutura logística e a capacidade estática

A JBS gerencia uma capacidade estática total de 120 mil animais, distribuídos em seis unidades estratégicas para absorver o gado das principais regiões produtoras:

  • Mato Grosso: unidades em Lucas do Rio Verde (32 mil cabeças estáticas) — rota estratégica para produtores da região de Juína — e Porto Alegre do Norte (13 mil cabeças), atendendo o Vale do Araguaia.
  • Mato Grosso do Sul: duas unidades ativas na região de Terenos.
  • São Paulo: planta estratégica localizada em Guaiçara.
  • Minas Gerais: unidade de Campo Florido, polo produtor no Triângulo Mineiro.

O boitel consolidou-se como uma extensão da fazenda brasileira. Ao terceirizar a engorda neste momento de grãos favoráveis, o pecuarista elimina o risco operacional da seca, protege suas pastagens para o período de transição das águas e garante a entrega de um produto padrão premium com escala e rentabilidade devidamente travadas.

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