‘Nós temos soluções na prateleira para substituir até 40% dos fertilizantes’, diz Nobel da Agricultura

Foto: Divulgação.

Em uma participação histórica no Giro do Boi desta terça-feira (31), a Dra. Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa e a primeira mulher brasileira a conquistar o Prêmio Mundial da Alimentação (o “Nobel da Agricultura”), trouxe uma mensagem de soberania para o campo.

Diante da crise global de fertilizantes e da dependência de importações de países em conflito, como Rússia e nações do Oriente Médio, a cientista afirmou que a pesquisa brasileira já dispõe de tecnologias prontas para reduzir drasticamente o uso de adubos químicos, promovendo uma pecuária regenerativa e altamente lucrativa.

Confira:

Bioinsumos: a rota da independência tecnológica

A Dra. Mariângela destacou que o Brasil possui a faca e o queijo na mão para liderar a agricultura e pecuária biológica mundial, substituindo insumos caros por vida microscópica. “Nós temos soluções na prateleira que permitiriam substituir até 40% ou 50% dos químicos”, afirmou a pesquisadora.

O uso de bactérias que capturam o nitrogênio do ar elimina a necessidade de ureia na soja (gerando economia de R$ 140 bilhões por safra) e reduz significativamente a demanda em gramíneas e pastagens.

O estudo da Dra. Mariângela evitou a emissão de 230 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, consolidando a carne e os grãos brasileiros com baixíssima pegada de carbono.

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A nova fronteira: biológicos nas pastagens

Para o pecuarista, a grande notícia de 2026 é que a tecnologia que revolucionou a soja agora está disponível para o pasto, focando na recuperação de 40 milhões de hectares degradados.

O uso de bactérias como o Azospirillum produz fitormônios que fazem a raiz do capim crescer vigorosamente, aumentando a absorção de água e nutrientes. Bactérias como a Pseudomonas fluorescens ajudam a “destravar” o fósforo preso no solo, tornando-o disponível para a planta.

Pastagens inoculadas apresentam 20% mais biomassa e uma forragem mais rica em proteínas e minerais, resultando em animais mais pesados e terminação mais rápida.

O impacto da ciência brasileira

Indicador Impacto da Pesquisa Benefício ao Produtor
Economia Anual R$ 140 bilhões Redução drástica no custo de produção (Soja/Carne)
Gases Estufa -230 milhões de toneladas Carne carbono neutro e sustentabilidade real
Produtividade + 20% de biomassa no pasto Mais animais por área e solo regenerado
Inovação Bioanálise de Solo (BioAS) Ferramenta para medir a saúde e a vida da terra

Mariângela defende que o futuro do agro exige um olhar mais atento à saúde do solo. Através da Bioanálise de Solo (BioAS), o produtor pode monitorar a vida microbiana da fazenda, garantindo que o solo retenha água e recicle nutrientes de forma eficiente.

Para a pesquisadora, não basta ser sustentável; é preciso regenerar o que foi perdido, devolvendo biodiversidade aos solos exauridos para garantir o legado das próximas gerações.

O sucesso da agropecuária brasileira em 2026 é biológico. Ao investir em ciência e parcerias público-privadas, o produtor protege seu bolso contra crises globais de fertilizantes. “Se eu incentivei um pecuarista a usar em suas pastagens os biológicos, eu já vou dormir contente hoje”, concluiu a laureada.

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