Nematóides e carrapatos ameaçam desempenho de vacas paridas e bezerros; o que fazer?

Foto: Reprodução.

O controle sanitário durante o período das águas é um dos maiores desafios para a produtividade da pecuária de cria no Brasil.

Em entrevista ao Giro do Boi, Antônio Coutinho, gerente técnico da Vetoquinol, afirmou que a combinação de altas temperaturas e umidade elevada favorece a explosão populacional de parasitas.

Os nematóides (vermes internos) e os carrapatos formam uma “frente de ataque” que compromete diretamente a produção de leite das matrizes e o desenvolvimento imunológico dos bezerros, podendo resultar em perdas de peso críticas e até na morte dos animais jovens.

Segundo ele, para evitar prejuízos na desmama e garantir que as vacas retomem o ciclo reprodutivo rapidamente, o pecuarista precisa adotar protocolos que interrompam o ciclo vicioso de contaminação das pastagens.

Confira:

Os impactos na vaca e no bezerro

A infestação parasitária atua de forma silenciosa, mas agressiva, competindo pelos nutrientes que seriam essenciais para o animal:

Nas vacas paridas, os nematóides roubam a energia que a matriz deveria converter em leite. O resultado é uma vaca com baixo escore corporal, que demora a entrar no cio novamente e produz um bezerro mais leve.

Já nos bezerros, por terem o sistema imunológico ainda em formação, os bezerros sofrem com anemia, diarreia e baixa conversão alimentar. A falta de controle nesta fase compromete a qualidade da desmama programada para os meses de abril e maio.

Tecnologia e soluções estratégicas

A ferramenta indicada para este período é o uso de soluções injetáveis de longa ação que combatam o problema em duas frentes. O uso de associações como Ivermectina com Fluazuron permite um controle integrado:

  1. Ação Endectocida: elimina os nematóides alojados no trato gastrointestinal do animal.
  2. Interrupção do ciclo: impede o desenvolvimento dos carrapatos, evitando que caiam no solo e continuem contaminando o ambiente.
  3. Eficiência nutricional: com o controle, o “ouro branco” (leite materno) é aproveitado integralmente pelo bezerro para o seu crescimento.

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O rigor da carência e a segurança alimentar

Um ponto de extrema importância em 2026 é o respeito ao período de carência, fundamental para manter o status do Brasil como maior exportador mundial de carne.

  • Cria e recria: produtos com carência estendida (como 130 dias) são ideais para animais jovens e vacas de cria que permanecerão na fazenda por longos períodos.
  • Terminação: é proibido o uso dessas moléculas em animais prontos para o abate. Nestes casos, deve-se optar por produtos de carência zero para evitar resíduos na carne e possíveis embargos internacionais.

Diagnóstico personalizado

Coutinho reforça que não existe “receita de bolo” na sanidade animal. O controle eficiente dos nematóides começa com o exame de Ovos por Grama de Fezes (OPG), que identifica o nível real de infestação na propriedade.

Além disso, o controle da Mosca-dos-Chifres com o uso de brincos mosquicidas é essencial para evitar o estresse que pode fazer o animal perder até 40 kg de peso.

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