Milho para silagem: ponto de corte está relacionado ao grão ou à planta inteira?

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O Giro do Boi desta terça-feira (7) traz uma consultoria técnica essencial para o produtor Isael Alves de Souza, de Costa Marques (RO). O zootecnista Edson Poppi esclarece uma dúvida comum que confunde muitos pecuaristas iniciantes: afinal, devemos olhar para o grão ou para a planta como um todo na hora de fazer a silagem de milho?

Em um ano marcado por veranicos irregulares e pelos efeitos do El Niño, a precisão nesse momento define se você terá uma reserva de comida de alta qualidade ou um “feno picado” de baixo valor nutricional.

Confira:

O dilema: grão versus planta inteira

A orientação de focar na planta inteira, e não apenas no grão, faz muito sentido, especialmente sob estresse hídrico. O milho é uma cultura que sinaliza sua maturação de forma visual, mas nem sempre o grão e o caule caminham na mesma velocidade.

Quando falta chuva, a planta de milho “morre” de baixo para cima para tentar translocar nutrientes e salvar a espiga. Isso faz com que as folhas e o caule sequem rapidamente, enquanto o grão ainda pode estar mole.

Se o produtor focar apenas no amido do grão e ignorar que a planta está amarelando, o material colhido terá muita matéria seca. Isso impede a compactação correta no silo, favorecendo a entrada de oxigênio e a proliferação de fungos e micotoxinas.

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O ponto de equilíbrio: a matéria seca

O objetivo de ouro para uma silagem de excelência é colher o milho quando a planta inteira apresenta uma umidade entre 30% e 35% de matéria seca.

  • Planta muito seca (> 37% de matéria seca): o material fica elástico e “fofoca” dentro do silo. As máquinas não conseguem expulsar o ar, o que azeda a fermentação e estraga o trato.
  • A decisão técnica: se as folhas baixeiras já secaram e a planta está perdendo o vigor verde rapidamente, o corte deve ser antecipado. É preferível perder um pouco do amido do grão do que perder a capacidade de conservação de todo o silo.

Dicas práticas de manejo no campo

Para o produtor de Costa Marques (RO) e de todo o Brasil, Edson Poppi sugere o monitoramento constante da roça neste mês de abril:

  • Teste do aperto: pegue o milho picado e aperte com força. Se a “bola” se desfizer lentamente e sua mão ficar levemente úmida, está no ponto. Se a bola saltar e abrir rápido, o milho passou do ponto de corte.
  • Ajuste da ensiladeira: caso a planta esteja mais seca que o ideal, diminua o tamanho das partículas no corte. Isso facilita a expulsão do ar durante a compactação.
  • Uso de inoculantes: em colheitas feitas sob estresse, o uso de inoculantes biológicos é obrigatório para garantir a queda rápida do pH e a estabilidade da silagem.

O grão de milho é o indicativo de energia, mas a planta toda é a realidade da conservação. Neste 2026 de clima instável, o “olho do dono” deve estar no vigor do caule e das folhas. Se o milho “sentiu” a seca, não espere o calendário; ligue a máquina e garanta o estoque de comida para o inverno.

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