No mais recente episódio do quadro “Dicas do Scoton”, o zootecnista e consultor Maurício Scoton trouxe detalhes diretamente da Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO) — a maior operação de confinamento do Brasil —, para explicar como o processamento do grão é o divisor de águas na lucratividade em 2026.
O foco central é o Milho floculado (steam-flaked corn), tecnologia que transforma a estrutura do grão para que o gado aproveite praticamente 100% da energia oferecida no cocho.
Confira:
O que é o milho floculado e como ele funciona?
Diferente do milho moído seco ou do grão inteiro, o Milho floculado passa por um processo industrial térmico e mecânico que altera sua biologia. O grão é exposto ao vapor de alta temperatura e depois passa por rolos compressores que o transformam em lâminas finas (flocos).
Esse processo quebra as cadeias complexas de amido, “pré-digerindo” o alimento. Isso facilita o trabalho das bactérias do rúmen e das enzimas intestinais. O animal gasta menos energia para digerir e absorve o nutriente de forma muito mais rápida e eficiente.
Redução de desperdício: o índice de amido fecal
A maior prova da eficiência do Milho floculado está no que o animal não joga fora. Maurício Scoton destacou um indicador crucial: o amido fecal.
Na Fazenda Conforto, o índice de amido encontrado nas fezes é de apenas 2%. Isso significa que quase todo o milho ingerido virou carne. Em dietas com milho moído comum, o desperdício nas fezes pode chegar a 20%. Ou seja, em cada 10 sacas de milho moído, 2 são jogadas fora pelo boi, enquanto no floculado o desperdício é praticamente zero.
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Dieta de alta performance e saúde ruminal
Para engordar 180 mil cabeças ao ano com sucesso, a nutrição exige precisão matemática.
- Composição energética: a dieta utiliza 55% de milho floculado, atingindo um NDT (Nutrientes Digestíveis Totais) altíssimo de 86%.
- Segurança alimentar: para evitar problemas como a acidose (causada pelo excesso de energia rápida), são utilizados núcleos com aditivos e promotores de crescimento que equilibram o pH do rúmen.
- Resiliência no barro: mesmo em períodos chuvosos, como o atual mês de fevereiro em Goiás, a alta digestibilidade do floculado ajuda o boi a manter o ganho de peso sob estresse climático.
Vale a pena investir?
Embora o custo de uma planta de floculação seja elevado devido à necessidade de caldeiras e energia, Scoton reforça que a conversão alimentar é superior. O boi precisa comer menos quilos de ração para ganhar a mesma arroba, o que reduz o custo da arroba produzida em grandes escalas.
“Flocular o milho é entregar a energia pronta para virar carne, tirando o trabalho pesado do estômago do animal”, resume o consultor.
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