A menina da prancheta que hoje ajuda a escrever a história da fazenda

Foto: Divulgação.

Meu relacionamento com o agronegócio começou muito antes de eu imaginar que um dia estaria à frente de uma fazenda. Sou formada em Publicidade e Propaganda e também em Administração e hoje tenho a honra de ser uma das diretoras da Fazenda 3R, dedicada à produção de bezerros Nelore, sempre com grande atenção ao manejo, à genética e à nutrição.

Mas antes de qualquer cargo, eu fui apenas uma menina que adorava acompanhar o pai na fazenda.

Quando eu era criança, qualquer oportunidade de ir para o campo era motivo de alegria. Ia nas férias, nos feriados e, sempre que podia, também acompanhava meu pai no dia a dia da propriedade. Tenho lembranças muito vivas dos anos 90, quando os programas de melhoramento genético começavam a ganhar força no Brasil. Eu ficava fascinada observando o movimento no curral e os acasalamentos que ele planejava com tanto cuidado.

Em muitos desses momentos, ele me entregava uma prancheta para que eu anotasse, à mão, quais touros seriam usados em cada vaca. Na época, eu não tinha dimensão da importância daquilo. Para mim, era apenas uma forma de participar. Hoje, de certa forma, vejo essa história se repetir. Minha filha Valentina também me acompanha desde pequena nas idas à fazenda, curiosa com tudo o que acontece ao redor.

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Anna Catenacci, a filha Valentina e o pai, Rubens Catenacci. Foto: Divulgação.

Meu pai foi pioneiro no uso de tecnologias reprodutivas como a FIV (Fertilização In Vitro) e a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) no Mato Grosso do Sul, ferramentas que revolucionaram o melhoramento genético dos rebanhos no Brasil. Ele também fazia questão de me levar às exposições em Uberaba, para que eu entendesse os julgamentos de Nelore e o padrão de animal que ele buscava para evoluir o nosso rebanho.

A vida seguiu. Estudei, construí minha família e segui minha carreira. A fazenda sempre esteve presente, mas era, sobretudo, o grande projeto da vida do meu pai. Quando ele faleceu, assumir a gestão acabou sendo um caminho natural. Ao lado do meu irmão Henrique e do meu esposo, Marcos Chesi, passamos a conduzir a Fazenda 3R com a responsabilidade de dar continuidade a esse legado.

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O trabalho no campo exige presença, dedicação e convivência diária com a fazenda. Muitas vezes isso significa ficar períodos longe de casa. Como mãe, esse talvez seja o meu maior desafio, não voltar ao fim de um dia de trabalho e lidar com a distância, equilibrando diferentes papéis ao mesmo tempo.

Talvez por isso eu tenha me adaptado tão bem à quarentena durante a pandemia. Nós nos mudamos para a fazenda e, de certa forma, meu mundo ficou completo: minha família e meu trabalho estavam no mesmo lugar.

No Dia da Mulher, gosto de pensar em quantas histórias no campo se parecem com a minha. Filhas que cresceram acompanhando os pais, aprendendo aos poucos e que, em algum momento, assumiram o protagonismo dentro das propriedades.

A presença feminina no agronegócio deixou de ser exceção. Hoje ela é realidade. No meu caso, também é continuidade.

Manter viva a visão do Seu Rubens Catenacci, continuar evoluindo o nosso rebanho e ver a Fazenda crescer com responsabilidade e propósito é uma das maiores honras da minha vida.

Porque, no fim das contas, aquela menina que anotava acasalamentos na prancheta nunca deixou de existir.

Ela apenas cresceu e hoje continua ajudando a escrever, com muito orgulho, a história da Fazenda 3R.

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