Guzerá reforça dupla aptidão e avança em cruzamentos com zebuínos e taurinos

Foto: Divulgação.

O Giro do Boi desta quinta-feira (21) mergulhou nas aptidões econômicas e na história da raça zebuína mais antiga do mundo: o Guzerá.

Em entrevista, o pecuarista Eros Gazzinelli Metzker, proprietário da Gembra Agropecuária e vice-presidente da Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil, destacou que a raça consolida-se como um verdadeiro “porto seguro” para a pecuária moderna.

A extrema pureza racial do gado indiano garante uma heterose máxima no cruzamento industrial, permitindo que o Guzerá reforce sua consagrada dupla aptidão ao avançar expressivamente tanto em cruzamentos com outros zebuínos (como o Nelore) quanto com taurinos (como o Angus e o Holandês).

Confira:

A mágica da heterose e a dupla aptidão no campo

A principal força econômica do Guzerá reside na sua eficiência biológica. Por ter evoluído em ambientes de recursos escassos, a raça possui um metabolismo altamente eficiente, traduzido em ótimos índices de carne e leite com baixo investimento em alimentação.

O cruzamento com o Nelore (Guzonel) supera os índices produtivos de ambas as raças puras em ganho de peso. Eros citou abates técnicos onde animais Guzonel atingiram impressionantes 21 arrobas com apenas 16 meses de idade. Além disso, o vice-presidente desafiou os produtores a utilizarem touros Angus sobre matrizes F1 Guzonel, garantindo que o Tricross resultante entrega muito mais peso e adaptabilidade que a tradicional F1 Nelore/Angus.

Linhagens selecionadas superam com facilidade a marca de 5.000 kg de leite por lactação. Ao cruzar o Guzerá com a raça Holandesa para formar o Guzolando, o produtor resolve o maior gargalo da atividade leiteira: o descarte de machos. Os bezerros nascem pesados, musculosos e com alto valor de venda para a engorda, enquanto as fêmeas demonstram alta persistência de lactação.

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!

Desmistificando o manejo: o avanço do Guzerá descornado

Eros Metzker abordou de frente o maior preconceito que historicamente afasta novos criadores da raça: os imponentes chifres em formato de lira.

O chifre imponente gera receio na lida de curral, mas a raça é extremamente dócil. “Ninguém conseguiria ordenhar uma vaca manualmente se o animal fosse bravo”, defendeu Eros, lembrando que o gado responde perfeitamente ao manejo racional e ao bem-estar animal.

Para atender ao mercado de cruzamento industrial e facilitar a rotina dos funcionários, criadores tradicionais introduziram com sucesso o Guzerá Descornado (Mocho). A discorna rotineira ou o uso de genética mocha facilita o tráfego em cochos e bretes sem alterar em nada o rendimento de carcaça e a excelente conversão alimentar do boi.

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

Adaptação extrema: da seca severa à geada do Sul

Outro paradigma quebrado na entrevista foi a restrição geográfica da raça, provando que o Zebu adapta-se a qualquer ambiente hostil.

Respondendo a um produtor de São Lourenço do Oeste (SC), cujas pastagens sofreram com a geada, Eros revelou que o Guzerá possui criatórios de sucesso absoluto em regiões de inverno rigoroso do Canadá, dos Estados Unidos e no extremo sul do Brasil. O animal suporta o choque térmico perfeitamente, mostrando que sua adaptabilidade vai muito além do semiárido.

Em um cenário macroeconômico de margens espremidas, juros altos e custos elevados, a eficiência biológica é a única garantia de lucro. “Momentos de crise são os melhores momentos para investir no Guzerá, porque ele é o porto seguro da adaptabilidade, rusticidade e produtividade”, resume o vice-presidente.

News Giro do Boi no Zap!

Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.

Rolar para cima