Girolando: a melhor pulada de cerca da história

Foto: Divulgação.

O que começou como um acidente biológico na década de 1940 tornou-se a “descoberta do século” para a pecuária nacional.

No Giro do Boi desta sexta-feira (13), o novo presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (ABCG), Alexandre Lopes Lacerda, celebrou a trajetória da raça que nasceu de um touro que “pulou a cerca” no Vale do Paraíba para mudar o destino da produção leiteira no Brasil.

Hoje, o Girolando é a raça que mais vende sêmen e produz embriões no país, sendo responsável por mais de 80% do leite nacional.

Confira:

Números de uma evolução grandiosa

Desde a instituição do registro genealógico em 1989, o Girolando saltou de um cruzamento acidental para uma seleção de elite que acumula recordes mundiais.

  • Recordes históricos: em 2025, a raça atingiu a marca de 114 mil novos registros (RGN e RGD), somando quase 2,5 milhões de animais registrados em sua história.
  • Liderança de mercado: superou a barreira de 1 milhão de doses de sêmen comercializadas, consolidando-se como a genética preferida para sistemas tropicais.
  • Produtividade de elite: a evolução é nítida: em duas décadas, a média nacional saltou de 4.000 kg para 7.600 kg de leite/ano, com exemplares de ponta ultrapassando a marca de 127 kg de leite em um único dia.

Genética e tecnologia: a parceria com a Embrapa

O aprimoramento do Girolando — que une a resistência do Gir à produtividade do Holandês — conta com o suporte científico da Embrapa Gado de Leite.

  • Mapeamento genômico: atualmente, a raça conta com o mapeamento de 34 características genéticas, permitindo que pequenos e médios produtores identifiquem animais eficientes precocemente.
  • Seleção de precisão: o presidente Alexandre Lacerda reforça: o segredo não é “inventar moda” com cruzamentos arriscados, mas sim investir em touros provados e testes de progênie para reduzir custos e aumentar a margem por litro.

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Diversificação com o “Beef on Dairy”

Uma tendência que ganha força no Girolando em 2026 é a utilização de parte das vacas do plantel para gerar bezerros de corte, estratégia conhecida globalmente como Beef on Dairy.

  • Nova Renda: o produtor utiliza sêmen sexado de fêmea nas melhores vacas para reposição e sêmen de gado de corte (como Angus) nas demais.
  • Valor Agregado: o resultado é um bezerro de cruzamento industrial com alto valor de mercado para engorda, transformando o “descarte” em uma fonte de receita robusta.

Desafios e defesa do produtor

Apesar do sucesso genético, o setor enfrenta a pressão das importações de leite em pó do Mercosul. A ABCG e outras entidades lideram movimentos para pressionar por leis antidumping. Lacerda destaca que o Girolando é uma ferramenta de inclusão social: um aumento de apenas R$ 0,20 no litro de leite injetaria R$ 5 milhões por dia na economia rural brasileira.

O presidente encerrou reforçando o convite para a Megaleite 2026 (2 a 6 de junho em Belo Horizonte). A dica para o produtor é clara: substitua animais de baixa eficiência por genética de ponta. “Você reduz o trato e aumenta a renda”, resume Lacerda.

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