‘Genética boa’ garante três arrobas a mais no gancho, diz especialista

O investimento em genética deixou de ser um diferencial estético para se tornar uma questão de sobrevivência financeira na pecuária.

Em entrevista ao Giro do Boi, o professor José Bento Sterman Ferraz, da USP de Pirassununga, uma das maiores autoridades no setor, afirmou que a utilização de animais com avaliação comprovada garante um ganho adicional de três arrobas por animal em comparação ao gado comum.

Na prática, segundo o especialista, isso representa cerca de R$ 1 mil de lucro extra por boi. A diferença é sentida principalmente no cocho: enquanto o animal de criador selecionado converte alimento em carne rapidamente, o boi sem origem (o “gabiru”) consome mais suplemento para produzir uma arroba muito mais cara, reduzindo a margem do produtor.

Confira:

O gargalo do rebanho brasileiro

Embora o Brasil tenha se tornado o maior produtor de carne do mundo em 2026, o professor alerta para um dado preocupante sobre a eficiência do nosso rebanho.

  • Baixa avaliação: dos 45 milhões de animais abatidos anualmente, apenas 30% possuem genética conhecida.
  • O “Boi de Boiada”: cerca de 70% do gado abatido ainda não possui origem ou avaliação técnica, o que nos coloca em desvantagem produtiva em relação aos EUA, que produzem volume semelhante com menos da metade do efetivo bovino.

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Como escolher o touro melhorador

Para não cair no “canto da sereia” de leilões sem base técnica, o pecuarista deve dominar a interpretação das Diferenças Esperadas na Progenia (DEPs). Elas são a única ferramenta capaz de prever o que o touro realmente transmitirá para os bezerros em termos de peso, precocidade e carcaça.

Pontos essenciais para o sucesso genético:

  • O boi entra pela boca: a genética de ponta só se expressa se houver comida. Sem manejo de pastagem e nutrição, o investimento em sêmen é desperdiçado.
  • Foco na precocidade: casos como o da Agropecuária CFM mostram que a seleção permite abater animais pesados antes dos 24 meses e desafiar novilhas precoces (13-15 meses) com 70% de fertilidade.
  • Rendimento de carcaça: a partir das 20 arrobas, a genética define se o animal continuará ganhando peso ou se apenas “estacionará” no consumo, perdendo eficiência.

Alerta: a concorrência global e a África

O professor José Bento faz um alerta geopolítico: o Brasil não deve se acomodar. A China está investindo pesado em terras na África, que possui um potencial produtivo similar ao brasileiro e está geograficamente mais perto do mercado asiático.

Para manter a liderança, o pecuarista brasileiro precisa profissionalizar o uso da genética e intensificar o manejo das pastagens. “O pecuarista brasileiro gosta de ver o pó, de ver a pastagem rapada. Sem comida, a melhor genética do mundo não se expressa”, disse Ferraz.

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