‘Boom’ do gado confinado: veja dicas para potencializar a engorda no cocho e garantir margem em 2026

O setor de gado confinado vive um momento histórico no Brasil. Dados de 2025 apontam para um recorde absoluto, com estimativas de crescimento entre 7% e 12,5%, alcançando a marca de 8,5 milhões de cabeças terminadas no cocho.

Segundo o doutor em zootecnia e consultor Maurício Scoton, esse “boom” foi sustentado por uma combinação favorável: safra recorde de grãos, maior oferta de DDG (coprodutos do etanol de milho) e uma valorização da arroba impulsionada pela demanda internacional.

Para 2026, a regra é clara: a lucratividade, que chegou a superar duas vezes a taxa Selic no último ano, só será mantida por quem adotar uma gestão profissional e ferramentas de proteção de mercado.

Confira:

Gestão de risco: proteja seu lucro antes do boi entrar no cocho

A pecuária intensiva moderna não aceita “bola de cristal”. O planejamento financeiro é o item mais importante da dieta do gado confinado.

  • Mercado futuro e travas: é essencial garantir o preço de venda através de Hedge, contratos de opções (Put/Call) ou seguros. O produtor deve saber sua margem antes de iniciar a engorda.
  • Análise de mercado: com 75% da produção destinada ao consumo interno, o confinador precisa monitorar o varejo nacional. Carne barata na gôndola é sinal de alerta para a pressão de baixa na arroba.

O checklist da gestão nota 10

Maurício Scoton propõe um teste de eficiência para medir se a sua fazenda está preparada para os desafios de 2026. Avalie os seguintes pontos:

  1. Fluxo de caixa semanal: monitoramento rigoroso de entradas e saídas a cada 7 dias.
  2. Orçamento anual: plano de metas e teto de gastos definido para todo o ciclo.
  3. Checklists de processos: protocolos de ronda sanitária e nutricional escritos e padronizados.
  4. Gestão à vista: mural de tarefas definindo responsabilidades claras para a equipe.
  5. Estoque de segurança: reserva de alimento (silagem/feno) para, no mínimo, 90 dias.

Resultado: Se a sua nota for menor que 5, o risco de prejuízo é alto. Notas acima de 8 colocam você no grupo das fazendas “Top Rentáveis”.

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Nutrição: a maior engrenagem do custo

A alimentação representa cerca de 84% dos custos operacionais do gado confinado. O planejamento forrageiro define quem sobra no mercado.

  • Volume estratégico: a regra prática de planejamento é reservar 1 tonelada de silagem por boi para um ciclo médio de 100 dias.
  • Eficiência na roça: o custo da dieta é diluído pela produtividade. Não importa se a fonte é Milho, Capiaçu ou Capim; o lucro vem de produzir o máximo de toneladas por hectare na mesma área.

Operação e pessoas: o olho do dono

Mesmo em grandes operações, o sucesso depende da atenção aos detalhes no “chão de fábrica” (o corredor do cocho).

  • Ronda nutricional: fundamental para evitar o desperdício de ração e identificar animais que não estão se adaptando à dieta.
  • Manejo nada-a-passo: garante que o gado ganhe peso com saúde e sem estresse, otimizando a conversão alimentar.
  • Descentralização: cada setor (fábrica de ração, curral, máquinas) deve ter um responsável que preste contas e tenha autonomia sobre os resultados.

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