O DDG (Distillers Dried Grains ou Grãos Secos de Destilaria), subproduto do milho oriundo das usinas de etanol, consolidou-se em 2026 como o “queridinho” da nutrição animal no Brasil.
Respondendo ao produtor Getúlio Viana, de Poxoréu (MT), o zootecnista e especialista em nutrição de ruminantes, Tiago Felipini, alerta que, embora seja um insumo de alto desempenho, o seu uso exige rigor técnico. Fornecer o produto de forma isolada pode transformar a economia em um prejuízo fatal.
Confira:
Por que não fornecer DDG puro?
Embora seja rico em proteína e energia, o DDG possui características químicas que impedem seu uso como dieta única.
Durante o processamento industrial do etanol, o enxofre acaba se concentrando no grão. O consumo excessivo de enxofre pode causar a Polioencefalomalácia (PEM), uma doença neurológica gravíssima que afeta o cérebro do animal, levando à morte rápida.
O produto é naturalmente rico em fósforo e pobre em cálcio. O fornecimento puro causa um desequilíbrio na relação Cálcio:Fósforo, resultando em problemas ósseos e cálculos urinários, especialmente em machos.
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A substituição estratégica
O DDG não deve ser a base total, mas sim um substituto inteligente para outros componentes da ração:
- Substituto da soja: ele substitui com excelência o farelo de soja como fonte de proteína, geralmente com um custo por ponto de proteína muito mais atrativo no Centro-Oeste.
- Substituto do milho: graças ao seu teor de óleo e fibra digestível, ele pode substituir parte do milho moído. Como o amido já foi fermentado na usina, o DDG ajuda a prevenir a acidose ruminal, mantendo o pH do estômago do boi mais estável.
Vantagens do uso correto
Quando formulado por um nutricionista para compor uma dieta equilibrada, o DDG entrega benefícios claros:
- Redução do custo da arroba: em regiões como o Mato Grosso, a arroba produzida com este coproduto é significativamente mais barata.
- Palatabilidade: o gado possui ótima aceitação ao produto, o que favorece o consumo no cocho.
- Segurança ruminal: a fibra do DDG é altamente digestível, o que permite formular dietas de alta energia com menor risco metabólico para o rebanho.
O DDG é uma ferramenta extraordinária para aumentar sua margem de lucro, mas exige precisão. A dica de ouro de Tiago Felipini é: sempre que o insumo representar mais de 20% da matéria seca da dieta, monitore os níveis totais de enxofre (incluindo o da água de bebida) para evitar intoxicações.
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