Desmama exige manejo racional e reforço na vermifugação, orienta especialista

Bezerro amamentando. Foto: Divulgação

O período de apartação dos bezerros é um dos momentos mais sensíveis da pecuária de corte, pois o estresse da separação e a mudança na dieta podem paralisar o desenvolvimento do animal.

No Giro do Boi desta sexta-feira (20), o médico veterinário Fernando Dambrós, da Ourofino Saúde Animal, destacou que a desmama em 2026 exige uma visão estratégica: é preciso unir o bem-estar animal para reduzir o estresse e uma vermifugação rigorosa para proteger o bezerro contra os parasitas que habitam as pastagens.

Confira:

Bem-estar na desmama: menos estresse, mais imunidade

A separação tradicional entre vaca e filho causa um aumento no cortisol, o que derruba as defesas do organismo do bezerro. Para evitar que o animal “sinta” o aparte, as recomendações atuais são:

  • Método lado a lado: vacas e bezerros são mantidos em pastos vizinhos, separados apenas por uma cerca reforçada. O contato visual e olfativo evita o desespero e a vocalização intensa (o berro), facilitando a transição.
  • Substâncias apaziguadoras: o uso de análogos sintéticos da substância que a vaca libera no leite (como o Ferapize) ajuda a acalmar o bezerro. Aplicado no dia do aparte, o produto garante cerca de 15 dias de tranquilidade, tempo ideal para a adaptação.

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Sanidade estratégica: o combate às verminoses

Ao deixar o leite e passar a consumir apenas forragem, o bezerro fica vulnerável aos vermes presentes no pasto. Negligenciar a sanidade neste momento é sinônimo de prejuízo certo.

  • O “Reset” parasitário: recomenda-se o uso de vermífugos de amplo espectro (como a associação de Ivermectina + Sulfóxido de Albendazol) no momento da desmama. Essa combinação elimina vermes adultos, larvas e ovos, limpando o organismo do animal e a própria pastagem.
  • Ganho de peso real: estudos indicam que bezerros vermifugados corretamente no pós-desmame podem ganhar até 30 kg extras (uma arroba de peso vivo) em 130 dias. O investimento no tratamento é baixo comparado ao valor de uma arroba a mais no estoque.

Calendário de proteção e logística

A proteção deve continuar durante toda a recria para garantir que o animal expresse seu potencial genético:

  • Recria a pasto: o uso de vermífugos de longa ação protege o animal por até 150 dias, fase em que ele precisa ganhar carcaça.
  • Atenção à carência: em 2026, o pecuarista deve estar atento às normas do MAPA. Para animais próximos ao abate, prefira produtos com carência reduzida (como o EVOL, de 22 dias), garantindo que a sanidade não trave a comercialização com o frigorífico.

Tratar o bezerro com métodos racionais e vermifugação de ponta é um investimento com retorno garantido. “Não existe carcaça de qualidade sem sanidade”, resume Fernando Dambros. Garantir que o bezerro passe pela desmama sem traumas é o primeiro passo para uma engorda eficiente e lucrativa.

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