A formação de pastagens com o consórcio de diferentes variedades de gramíneas é uma dúvida frequente entre produtores que buscam maior segurança contra pragas e variações climáticas.
No entanto, para o zootecnista e gerente de pasto Edmar Peluso, a resposta para o produtor Márcio Guelssi, de Adamantina (SP), é enfática: a mistura de capins no mesmo piquete não é recomendada e pode gerar prejuízos ao manejo e à produtividade do rebanho.
Embora pareça uma estratégia de diversificação, misturar cultivares como Marandu, Decumbens, MG4 e Piatã cria um ambiente de competição desigual entre as plantas e dificulta a colheita uniforme da forragem pelo gado.
Confira:
O problema da preferência animal e do pastejo seletivo
O maior desafio de misturar diferentes capins em uma mesma área é o comportamento seletivo dos bovinos. Os animais possuem preferências de palatabilidade e escolherão primeiro a espécie que consideram mais saborosa.
- Superpastejo: o gado consome excessivamente a variedade preferida, chegando a comprometer a raiz e a rebrota dessa planta.
- Subpastejo: a variedade menos palatável é deixada de lado, “passa do ponto”, vira talo e perde seu valor nutricional, tornando-se uma forragem de baixa qualidade que o animal rejeitará posteriormente.
Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!
Alturas de manejo e competição entre cultivares
Cada cultivar de capim possui um ritmo de crescimento e uma fisiologia específica. Manejar um piquete misto torna-se uma tarefa quase impossível por dois motivos técnicos principais:
- Divergência de alturas: o momento ideal de entrada e saída do gado varia entre as espécies. Enquanto o Marandu pode estar pronto para o pastejo, a Decumbens pode estar baixa demais ou o MG4 já ter passado da altura ideal.
- Dominância de espécies: com o tempo, a planta mais agressiva ou melhor adaptada ao solo acabará sufocando as demais. O produtor investe em quatro sementes, mas em poucos anos terá apenas uma predominante no piquete.
Recomendações estratégicas: pasto puro e divisão por áreas
Para garantir a segurança do sistema sem comprometer o manejo, Edmar Peluso sugere que a variabilidade seja feita por divisões de cercas, e não dentro do mesmo piquete:
- Pasto puro por piquete: escolha uma variedade para cada área. Por exemplo, plante Marandu no Piquete 1, Piatã no Piquete 2 e MG4 no Piquete 3. Isso permite que cada cultivar seja manejado em sua altura ideal, garantindo uniformidade.
- Atenção à decumbens: evite misturá-la com as Brachiaria brizantha (como Marandu e Piatã), pois ela possui hábito de crescimento e exigências de manejo muito distintos.
- Sugestão de produtividade: para a região de Adamantina, o especialista destaca que o Xaraés (Mogno), se bem manejado, costuma entregar resultados de produtividade superiores ao Marandu.
Em resumo, a recomendação para o Márcio e outros pecuaristas é: foque no manejo de excelência de uma espécie pura por área. Isso garantirá um ganho de peso constante e uma pastagem muito mais longeva.
News Giro do Boi no Zap!
Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.


