A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) provocou perdas de 25,8 bilhões de dólares na produção brasileira entre 2020 e 2024. Os dados fazem parte de um estudo conduzido por instituições de pesquisa e entidades do setor.
No período, a produção registrou queda média de 22,7% ao ano. O volume perdido soma cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos.
Impacto na produção
O levantamento utilizou dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base em séries históricas de área plantada, produtividade e produção desde 1976. A análise incluiu estimativas de perdas nas principais regiões produtoras.
Os resultados foram publicados na revista Crop Protection. O estudo foi conduzido pela Embrapa Cerrados, Epagri e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, Charles Oliveira, o impacto atinge o volume produzido. “Os resultados indicam que os enfezamentos do milho levaram a uma perda média de 31,8 milhões de toneladas por ano”, afirmou.
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Levantamento em campo
Os pesquisadores também utilizaram dados do projeto Campo Futuro, da CNA e do Senar. As informações foram coletadas em 34 municípios.
Na safra 2020/2021, a perda chegou a 28,9%. Na safra 2023/2024, o índice foi de 16,7%. O custo com inseticidas aumentou 19% no período, superando nove dólares por hectare.
A coordenadora do Campo Futuro, Larissa Mouro, destacou a abrangência dos dados. “Esse histórico permitiu gerar uma estimativa econômica consistente e com abrangência nacional”, disse.
Ameaça à produção
Os enfezamentos do milho são causados por patógenos transmitidos pela cigarrinha. Entre eles estão o enfezamento pálido (Spiroplasma kunkelii) e o vermelho (“Candidatus” Phytoplasma asteris).
O Brasil ocupa posição entre os maiores produtores e exportadores de milho. A estimativa para a safra 2025/2026 é de 138,4 milhões de toneladas, segundo a Conab.
De acordo com o estudo, surtos passaram a ocorrer com frequência a partir de 2015. “Mudanças no sistema de produção ocorridas nas últimas décadas, como a expansão da safrinha e o cultivo de milho durante quase todo o ano, criou um cenário favorável para a sobrevivência da cigarrinha e dos microrganismos”, afirmou Oliveira.
O assessor técnico da CNA, Tiago Pereira, destacou o impacto econômico. “Estamos falando de perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do País. O diferencial desse estudo é transformar essa percepção recorrente em números, com base científica”, disse.
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