Cigarrinha-das-pastagens pode reduzir em até 40% a produção de capim; como se prevenir?

Foto: Divulgação.

A cigarrinha-das-pastagens é considerada a praga “número 1” das pastagens brasileiras em 2026. Segundo a Dra. Fabrícia Zimermann, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, o impacto desse inseto minúsculo é devastador: ele é capaz de reduzir a produção de massa do pasto em até 40%, além de prejudicar o ganho de peso do rebanho em mais de 70%.

O prejuízo ocorre porque o inseto não apenas suga a seiva, mas injeta uma saliva tóxica que “envenena” e obstrui o crescimento da planta.

Confira:

O dano invisível: a “queima” do pasto

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O ataque da Cigarrinha-das-pastagens é frequentemente confundido com falta de água, mesmo em períodos chuvosos. O capim apresenta pontas das folhas secas, amareladas e retorcidas. O aspecto visual é de um “incêndio” localizado.

A toxina injetada mata o tecido vegetal, deixando o alimento sem valor energético. O gado acaba rejeitando o pasto ou se alimentando de um material sem nutrientes. A presença de uma “espuminha branca” na base do capim é o indicador clássico de que as ninfas (fase jovem) estão ativas e protegidas.

A maior incidência da praga ocorre agora, no período chuvoso. Durante a seca, os ovos ficam em estado de dormência (diapausa) no solo. Com o retorno da umidade, eles eclodem simultaneamente, gerando infestações massivas que exigem resposta rápida do pecuarista.

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Estratégias de prevenção e controle

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A Dra. Fabrícia Zimermann destaca que a prevenção é o caminho mais barato e eficaz para proteger o bolso e o rebanho.

  • Escolha da semente: plantar cultivares resistentes é a primeira linha de defesa. O BRS Ipyporã é altamente recomendado por sua resistência, assim como os Pânicons (Mombaça e Tanzânia). Já as Braquiárias decumbens e ruziziensis são as mais suscetíveis e preferidas da praga.
  • Manejo de altura: pasto muito alto cria um microclima úmido e escuro, perfeito para a cigarrinha. O pastejo rotacionado expõe as ninfas ao sol, reduzindo sua sobrevivência.
  • Controle biológico: o uso do fungo Metarhizium anisopliae é uma estratégia sustentável e segura. Deve ser aplicado em dias nublados ou no final da tarde, sem a necessidade de retirar o gado do pasto.
  • Controle químico: deve ser o último recurso. É essencial monitorar o voo dos adultos e respeitar rigorosamente o período de carência (3 a 15 dias) antes de retornar os animais ao piquete.

Antes de reformar seu pasto, utilize o aplicativo Pasto Certo. Ele oferece a ficha técnica completa das variedades de capim, permitindo que você escolha a cultivar com o melhor nível de resistência para a sua região.

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