A morte súbita e o enfraquecimento de novilhas no município de Santana, interior da Bahia, acenderam um alerta sanitário importante neste início de 2026.
Respondendo ao pedido de socorro do pecuarista Leonardo de Oliveira Souza, que já perdeu dois animais, o médico veterinário Guilherme Vieira analisou os sintomas de prostração, respiração ofegante e salivação excessiva para desvendar o que pode estar por trás dessa fatalidade.
Embora o diagnóstico definitivo dependa de exames laboratoriais, o especialista avalia se o vilão é o carrapato, alguma planta tóxica ou uma infecção silenciosa.
Confira:
A suspeita do carrapato e a tristeza parasitária
A hipótese levantada por veterinários locais de que o problema seja causado pelo carrapato não pode ser descartada, mesmo em rebanhos bem tratados.
- Anaplasmose e vetores: Guilherme Vieira explica que, mesmo que o produtor não veja o carrapato no animal, a Anaplasmose (parte do complexo da Tristeza Parasitária Bovina) pode ser transmitida por outros insetos picadores, como mutucas e a mosca-do-estábulo.
- Sintomas ocultos: é fundamental observar se os animais apresentam anemia, febre ou mucosas amareladas (icterícia), sinais clássicos da ação desses parasitas no sangue.
O mito da planta tóxica: a Beldroega em questão
O produtor Leonardo suspeitava que a planta Beldroega (Portulaca oleracea) pudesse ter intoxicado suas novilhas.
No entanto, o veterinário traz um esclarecimento técnico importante. Não existem evidências científicas de que a Beldroega seja tóxica para bovinos. Pelo contrário, ela é uma planta comestível em diversas culturas.
A salivação abundante (sialorreia) pode, sim, indicar intoxicação, mas geralmente por produtos químicos, plantas realmente tóxicas da região ou até distúrbios metabólicos como a acidose ruminal.
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Sinais clínicos: o que a respiração ofegante revela?
A dificuldade respiratória relatada nas novilhas da Bahia abre uma terceira via de investigação: as doenças infecciosas ou parasitárias pulmonares. A pneumonia pode ser causada por bactérias ou por verminoses pulmonares, comuns em épocas de alta umidade, que enfraquecem o animal até que ele não consiga mais se levantar.
Além disso, mortes rápidas em animais bem nutridos muitas vezes estão ligadas a doenças como a manqueira ou gangrena, que exigem protocolos vacinais rigorosos.
Plano de ação e prevenção para 2026
Para estancar as perdas no rebanho baiano, o Dr. Guilherme Vieira recomenda um protocolo de emergência:
- Diagnóstico laboratorial: em caso de nova morte, é indispensável realizar a necrópsia com um patologista para identificar a causa real e parar de “gastar com o remédio errado”.
- Reforço imunológico: intensificar a mineralização com foco em fósforo (60g a 90g) e atualizar as vacinas contra clostridioses.
- Vermifugação: utilizar produtos de amplo espectro para garantir que parasitas internos não estejam comprometendo o sistema respiratório.
“O papel e o vídeo aceitam tudo, mas o laboratório não mente. Invista no diagnóstico para garantir a saúde do seu rebanho”, orienta Guilherme Vieira.
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