Carrapato: infestação moderada compromete até 10% da produção de carne; veja tecnologia para controle imediato

O carrapato é um dos maiores “ladrões de produtividade” da pecuária brasileira, causando prejuízos bilionários todos os anos.

Em entrevista ao Giro do Boi, o médico veterinário Felipe Pivoto, da Vetoquinol Saúde Animal, alertou que mesmo uma infestação moderada pode comprometer seriamente o desempenho dos animais. Em raças europeias, a perda pode ultrapassar 22 kg de peso, enquanto no gado Nelore o prejuízo gira em torno de 3 a 4 kg por animal.

Com o Brasil consolidado como líder global na produção de carne em 2026, o controle estratégico deste parasita tornou-se uma questão de sobrevivência econômica e segurança alimentar.

Confira:

O impacto no bolso: Retorno sobre o Investimento (ROI)

Dados de pesquisas da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) comprovam que o investimento em tecnologia para o controle do carrapato traz resultados financeiros imediatos. O uso de protocolos modernos apresentou um ROI de 195% em apenas 90 dias.

Tecnologias que combinam princípios ativos como Fipronil e Fluazuron permitem o combate simultâneo ao carrapato e à mosca-do-chifre. A aplicação via pour-on é capaz de reduzir drasticamente a carga parasitária em até 14 dias, diminuindo o estresse e prevenindo males como anemia, bicheiras e bernes.

Alerta crítico: período de carência e exportação

A eficiência no combate ao carrapato deve caminhar lado a lado com a responsabilidade comercial. O uso inadequado de moléculas como o Fluazuron, sem respeitar o período de carência, já causou embargos de plantas frigoríficas brasileiras por mercados exigentes como a China.

Produtos com curto período de carência (como 29 dias) são ferramentas fundamentais para animais que estão em fase de terminação ou prestes a entrar no confinamento. Respeitar o tempo de eliminação do produto no organismo do animal é o que garante uma carne livre de resíduos e mantém as portas do mercado internacional abertas para o Brasil.

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Planejamento e prevenção: o pico do desafio (janeiro a março)

O erro de muitos produtores é esperar ver o gado “encardido” de carrapato para agir. O veterinário Felipe Pivoto reforça que o período entre janeiro e março representa o pico das infestações devido às altas temperaturas e umidade.

O tratamento estratégico deve ser feito de forma preventiva para cortar o ciclo das primeiras gerações, impedindo que a pastagem fique superlotada de larvas. É fundamental alternar os princípios ativos e aplicar a dosagem correta por quilo de peso vivo para evitar a seleção de parasitas resistentes.

O perigo da Tristeza Parasitária Bovina (TPB)

Além da perda direta de peso, o carrapato é o vetor da Tristeza Parasitária, uma doença que pode levar o animal ao óbito rapidamente. O produtor deve manter um olhar clínico apurado: gado amuado, febril ou com mucosas amareladas (icterícia) exige intervenção veterinária imediata.

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