O ano de 2025 consolidou uma mudança profunda na pecuária nacional: a carne premium deixou de ser um nicho restrito para transformar a estratégia de produção no campo.
Em entrevista ao Giro do Boi, Ivan Júnior, gerente executivo de marcas da Friboi, explica que o pecuarista brasileiro compreendeu definitivamente que o “paladar não retrocede” e passou a investir em genética e nutrição para atender a um consumidor cada vez mais exigente.
Em entrevista ao Giro do Boi, Ivan Júnior, gerente executivo de marcas da Friboi, explica que o pecuarista brasileiro compreendeu definitivamente que o “paladar não retrocede” e passou a investir em genética e nutrição para atender a um consumidor cada vez mais exigente.
Confira:
O novo ritmo do campo: ciclo curto e giro rápido
A exigência por carne de qualidade alterou radicalmente o perfil do animal que sai das fazendas. A ponte entre a indústria e o campo encurtou, trazendo benefícios diretos ao bolso do produtor. Ivan Júnior destaca que o negócio mudou de patamar: onde antes se comemorava o abate de bois de 6 a 8 dentes, hoje celebra-se o abate de novilhas de 18 arrobas (0 dentes) e bois castrados de 2 dentes com 21 arrobas.
Essa agilidade reflete diretamente no caixa da fazenda. Segundo o executivo, o pecuarista conseguiu reduzir o ciclo de produção pela metade: “O que levava 4 ou 5 anos para dar retorno, agora acontece em 2 ou 2,5 anos, colocando dinheiro no bolso muito mais rápido”, afirmou.
Parte desse mérito vem da pressão externa, especialmente da China, que ao exigir animais de até 30 meses, forçou o Brasil a investir em genética. Para Ivan, nesse ponto, “o chapéu deve ser tirado para o mercado chinês”, pois essa exigência acelerou a modernização do setor.
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Do ingrediente ao steak
A percepção da carne brasileira mudou drasticamente no cenário internacional. O Brasil deixou de ser apenas um fornecedor de “carne ingrediente” (usada para processados como lasanhas e hambúrgueres) e passou a exportar steaks de origem.
Hoje, as linhas premium brasileiras competem diretamente com carnes argentinas, uruguaias e americanas em restaurantes gourmet e gôndolas de luxo ao redor do mundo. Com a redução do rebanho nos Estados Unidos, o Brasil encontrou a janela perfeita para ocupar esse espaço global com protocolos rigorosos como o 1953.
Segmentação de marcas e a ceia de Natal
Para atender aos diferentes perfis de consumidores, a Friboi estruturou um portfólio que vai do custo-benefício ao luxo. A linha Reserva foca no dia a dia com a seleção das melhores carcaças, enquanto a Maturatta foca no churrasco com animais jovens e maturados. Já os protocolos 1953 e Friboi Black atendem ao mercado de altíssimo valor e exportação, exigindo genética taurina e acabamento superior.
Uma tendência marcante observada em 2025 é o advento do churrasco na ceia de Natal. O churrasco tem substituído pratos tradicionais como o peru, sendo visto como uma experiência que agrega mais a família.
Para quem quer entrar nesse mercado em 2026, Ivan deixa um alerta sobre o manejo, especialmente na Terminação a Pasto (TIP): o produtor deve evitar que o animal fique tempo demais no pasto para a gordura não amarelar, o que prejudica a aceitação no mercado premium.
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