Carmen Perez: como a criadora reduziu a mortalidade de bezerros de 14 para 2,3%?

Foto: Divulgação.

A pecuária brasileira enfrenta um desafio silencioso, mas extremamente oneroso: a taxa de mortalidade de bezerros, que em muitas fazendas ainda oscila entre 15% e 18%. No Giro do Boi desta terça-feira (24), a pecuarista e ativista Carmen Perez, da Fazenda Orvalho das Flores (MT), mostrou que é possível reverter esse cenário.

Ao adotar o bem-estar animal (BEA) como estratégia central de negócio, ela conseguiu reduzir a mortalidade em sua propriedade de 14% para impressionantes 1,6% (com média histórica estabilizada em torno de 2,3%), transformando perdas em lucro real e sustentável.

Confira:

O impacto econômico do bem-estar animal

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A redução drástica na mortalidade não é apenas uma questão humanitária, mas uma decisão financeira de alto impacto para a fase de cria.

Enquanto a média de mercado amarga prejuízos de cerca de R$ 50 mil a cada 100 bezerros nascidos devido a mortes evitáveis, a eficiência da Fazenda Orvalho das Flores retém esse capital no fluxo de caixa.

Comparada às fazendas “Top Rentáveis”, a propriedade de Carmen Perez apresenta indicadores superiores, como uma fertilidade de 86% e a produção de 40 kg a mais de bezerro desmamado por vaca exposta em relação à média nacional. O método prova que o manejo racional reduz o descarte de carcaças no pasto e maximiza o aproveitamento de cada animal nascido.

Pilares do manejo humanizado e o curso “Rebanho de Valor”

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Para disseminar essas práticas, Carmen Perez lançou o curso Rebanho de Valor, focado em profissionalizar a gestão de pessoas e o trato direto com os animais.

  • Bem-estar humano e animal: o conceito fundamental é que não existe cuidado com o bicho sem o cuidado com as pessoas. O treinamento sensibiliza a equipe de campo para um olhar mais detalhista e empático.
  • Maternidade e cura de umbigo: a implementação de protocolos rígidos, como visitas à maternidade duas vezes ao dia e a cura técnica do umbigo, é o “básico bem feito” que salva vidas no dia zero.
  • Desmame lado a lado: técnica que mantém o contato visual entre vaca e bezerro após a separação, eliminando o estresse e garantindo que o animal continue ganhando peso sem interrupções.

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Inovação: a super cria regenerativa

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Carmen também apresentou o conceito de pastejo em faixas para gado de cria comercial, uma adaptação de técnicas do setor leiteiro para a pecuária de corte.

  • Lotação e solo: utilizando cercas móveis de fácil montagem, a fazenda atinge lotações altíssimas sem degradar o solo, promovendo a regeneração das pastagens enquanto mantém as vacas produtivas.
  • Manejo dinâmico: essa técnica otimiza o aproveitamento do capim e permite um controle sanitário e nutricional muito mais próximo de cada lote de fêmeas e seus bezerros.

Comparativo de indicadores: Orvalho das Flores vs. mercado

O sucesso na cria em 2026 exige a superação do manejo bruto. O “olhar detalhista”, muitas vezes associado à presença feminina na gestão, é o que identifica o bezerro doente precocemente e garante a sobrevivência do rebanho. Como afirma a pecuarista: “O manejo humanizado gera impactos que vão muito além dos resultados financeiros”.

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