Capim zuri, paiaguás ou decumbens: qual a melhor escolha para solo arenoso?

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

A escolha da forrageira ideal para solos arenosos exige estratégia, pois embora a areia facilite a drenagem e a expansão das raízes, ela retém poucos nutrientes.

Respondendo ao pecuarista Ney Santos, de Teixeira de Freitas (BA), o engenheiro agrônomo Wagner Pires destaca que o capim zuri pode ser uma excelente opção, mas exige um “pacote tecnológico” de fertilidade para não degradar rapidamente.

Confira:

O capim zuri em solo arenoso: desempenho e exigências

O Capim zuri pertence ao gênero Panicum (como o Mombaça). É uma gramínea de altíssima produtividade, mas que funciona como um “carro de Fórmula 1”: entrega muita massa verde apenas se houver combustível (nutrientes) disponível.

Em solos arenosos, a lixiviação (perda de nutrientes pela água) é alta. Para o Zuri prosperar, é indispensável realizar a correção com calcário e adubação pesada. Sem isso, o capim definha em poucos anos.

O Zuri cresce em touceiras. Em terrenos muito acidentados (morros), as touceiras podem deixar o solo exposto entre elas, aumentando o risco de erosão.

Paiaguás e decumbens: as alternativas estratégicas

Se a área do Ney apresentar desafios como topografia íngreme ou baixa fertilidade natural, outras gramíneas podem ser mais eficientes:

  • Brachiaria decumbens (Basilisk): é a rainha dos morros. Por ter crescimento rasteiro e decumbente, ela “forra” o chão, protegendo o solo arenoso contra a erosão.
  • Brachiaria brizantha cv. Paiaguás: uma das melhores escolhas para o solo arenoso da Bahia. É extremamente resistente à seca e possui um sistema radicular agressivo que busca água em profundidade.
  • Brachiaria humidicola: se houver áreas de baixada que encharcam no período das águas, esta é a única opção que suporta o “pé na água”.

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Manejo de adubação e solo

Para ter sucesso com o capim zuri ou qualquer outra forrageira na areia, o manejo da adubação deve ser diferenciado:

  1. Fosfatagem Inteligente: Wagner Pires recomenda o uso de fosfato natural reativo. Ao contrário dos fosfatos solúveis, ele possui liberação gradual, garantindo que o nutriente não se perca rapidamente na areia.
  2. Uso de organominerais: são considerados a “pedida de ouro” para solos arenosos, pois ajudam a manter a matéria orgânica, melhorando a capacidade do solo de reter água e adubo.
  3. O primeiro pastejo: assim que o Zuri atingir entre 70 e 80 centímetros, os animais devem entrar para o primeiro pastejo. Isso estimula o perfilhamento (o capim “solta mais braços”) e ajuda a fechar o estande mais rápido.

Resumo para o planejamento

  • Terreno plano e fértil? Pode plantar o Capim zuri, garantindo adubação constante.
  • Terreno acidentado/morro? Prefira a Decumbens ou Paiaguás.
  • Terreno com umidade excessiva? Vá de Humidicola.

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