Brasil ainda tem perdas por abscessos e resíduos de medicamentos na carne; o que fazer?

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A pecuária no Brasil ainda enfrenta gargalos críticos que geram prejuízos milionários e colocam em risco o acesso a mercados internacionais.

Em entrevista ao Giro do Boi, o médico veterinário Carlos Oliveira, especialista em saúde e bem-estar animal da Friboi, os principais problemas são os abscessos vacinais e a presença de resíduos de medicamentos acima do limite permitido.

Para manter a competitividade do Brasil, o produtor deve focar em boas práticas de manejo e no respeito rigoroso aos prazos de carência, evitando o descarte de carne nobre e o embargo de unidades frigoríficas.

Confira:

Resíduos de medicamentos: o risco de embargo internacional

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A detecção de substâncias químicas é a forma mais rápida de fechar mercados exigentes. Atualmente, o Brasil possui três unidades frigoríficas (em SP, MG e GO) desabilitadas pela China há um ano e meio devido à detecção de Fluazuron.

  • O período de carência: é o intervalo obrigatório entre a última aplicação e o abate. Este prazo deve ser respeitado à risca, com registros claros de data de aplicação e data de liberação.
  • Alerta avermectinas: é proibido o uso de avermectinas com carência acima de 28 dias em animais destinados ao abate (confinamento ou pasto).
  • Vacas de descarte: um erro comum ocorre com vacas que falharam na reprodução. Muitas vezes, elas receberam antiparasitários de longa ação (até 120 dias de carência) e são enviadas ao abate precocemente por falta de consulta ao histórico de tratamentos.

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Abscessos: a ferida que rouba o lucro da carcaça

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O abscesso é uma infecção resultante de aplicações mal executadas. No frigorífico, ele exige o “toalete” da carcaça, resultando no descarte de 2 kg a 5 kg de carne. Se o abscesso estourar, a contaminação pode inutilizar a carcaça inteira.

Causas e boas práticas:

  • Local de aplicação: deve ser feita sempre na tábua do pescoço. Aplicar no traseiro compromete os cortes de maior valor comercial.
  • Higiene das agulhas: devem ser trocadas a cada recarga da pistola ou a cada animal. O uso de agulhas sujas ou tortas é a causa direta das infecções.
  • Contenção: uma má contenção no tronco favorece acidentes e aplicações inadequadas.

Como evitar erros na fazenda

A gestão profissional da saúde animal no Brasil passa por eliminar o amadorismo:

  • Use a balança: aplicar medicamentos “no olho” causa sobredose e prolonga o tempo de resíduo no organismo.
  • Comunicação entre setores: o escritório da fazenda nunca deve vender um lote sem confirmar com o setor de manejo se o período de carência já foi cumprido.
  • Higiene de equipamentos: pistolas e seringas devem ser higienizadas antes e durante o manejo, e os frascos mantidos secos e limpos em caixas térmicas.

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