A abertura da Semana Especial sobre Bezerros no Giro do Boi trouxe um alerta econômico vital para os criadores: desmamar um animal abaixo do potencial genético é “deixar dinheiro na mesa”.
O zootecnista Rodrigo Gennari, líder de projetos do Fazenda Nota 10 e o agrônomo Fábio Pereira destacaram que, enquanto a média nacional de desmame ainda patina abaixo dos 150 kg, a gestão profissional permite elevar esse índice para além dos 220 kg, transformando o bezerro no ativo mais rentável da propriedade.
Confira:
A matemática do peso: 10 kg que valem R$ 100 mil
Na pecuária de cria, a moeda de troca é o quilo vivo. Portanto, o peso ao desmame é o indicador que define o sucesso ou a falência da safra.
Segundo Rodrigo Gennari, em um rebanho de 700 matrizes, cada 10 kg adicionais na média de desmame representam um incremento de cerca de R$ 100 mil no faturamento líquido.
Atualmente, muitos criadores apartam fêmeas com 180 kg e machos com 200 kg. No entanto, a realidade de grande parte do país ainda é de animais desmamados com menos de 150 kg, o que encarece o custo fixo por cabeça.
Com gestão eficiente (caso da Fazenda Marfim/MA), é possível reduzir o custo da arroba produzida de R$ 208,00 para R$ 158,00, dobrando a margem de lucro por animal.
Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News. Ela te avisa quando tiver um conteúdo novo no portal. Acesse lá e fique sempre atualizado sobre tudo que você precisa saber sobre pecuária de corte!
Pilares da produção de bezerros pesados

Para reverter o quadro de animais leves, o pecuarista precisa integrar cinco fatores fundamentais dentro da porteira:
- Sanidade e diagnóstico: o monitoramento rigoroso permite identificar gargalos invisíveis. Na Fazenda Marfim, a detecção de leptospirose ajudou a reduzir as perdas pré-parto de 26% para apenas 5%.
- Água de qualidade: a substituição de açudes por bebedouros com água limpa e encanada é apontada como o nutriente mais barato e essencial para o ganho de peso do bezerro.
- Nutrição das matrizes: suplementar vacas com baixo escore corporal antes do parto garante que o neonato nasça forte e a mãe tenha maior produção de leite.
- Manejo de pastagem: o uso de cerca elétrica e pastejo rotacionado maximiza a oferta de capim de qualidade durante a lactação.
O fator humano: o “bezerro com bula”
A gestão técnica só funciona com uma equipe engajada. O programa “Cada Bezerro Importa” demonstra que a capacitação dos vaqueiros em cuidados neonatais (cura de umbigo e colostragem) é decisiva.
- Remuneração variável: premiar a equipe por metas de baixa mortalidade e GMD (Ganho Médio Diário) garante que o cuidado com o bezerro seja prioridade total no campo.
- Valor de mercado: o resultado é o “bezerro com bula”: um animal com genética de IATF, saudável e pesado, que terá desempenho superior na recria e engorda, sendo disputado pelos invernistas.
“O pior bezerro da fazenda é aquele que não nasce, mas o segundo pior é o que desmama leve por falta de gestão”. Em 2026, a pecuária 6.0 exige que o criador troque o “achismo” por planilhas e o pasto degradado por lavoura de capim para garantir a competitividade.
News Giro do Boi no Zap!
Quer receber o que foi destaque no Giro do Boi direto no seu WhatsApp? Clique aqui e entre na comunidade News do Giro do Boi 2.


