Arroba extra: o impacto da suplementação de baixo consumo nas águas

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

No cenário da pecuária em 2026, a capacidade de produzir bovinos terminados durante todo o ano é o diferencial de lucro.

Em entrevista ao programa Giro do Boi, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Sérgio Raposo, destacou que a suplementação estratégica nas águas é o caminho para colher uma arroba extra no final do período chuvoso, corrigindo as carências que o pasto verde, sozinho, não consegue suprir.

Confira:

Suplementação de baixo consumo: o ganho de 200g extras

A estratégia mais eficiente para quem busca potencializar o pasto é o uso de suplementos proteicos de baixo consumo.

Experimentos realizados pela Embrapa Gado de Corte comprovam que novilhos suplementados com proteinados de baixo consumo apresentam um Ganho Médio Diário (GMD) 200 gramas superior aos lotes que recebem apenas sal mineral.

Esse desempenho adicional pode representar uma arroba a mais por animal ao final da estação das águas, antecipando o abate e melhorando a cobertura de gordura da carcaça.

O efeito substitutivo: o cuidado com o investimento

Diferente do período seco, onde o suplemento ajuda o animal a comer mais forragem, nas águas o pecuarista deve estar atento ao “efeito substitutivo”. Quanto melhor a qualidade do pasto, maior a tendência de o animal trocar o capim pelo concentrado no cocho.

Para que o custo da arroba não suba, a suplementação deve ser acompanhada de um aumento na lotação. Se o gado está comendo no cocho e sobrando pasto, é necessário colocar mais “bocas” na área para aproveitar a forragem abundante.

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Gestão de cocho e espaçamento

O sucesso da suplementação nas águas depende mais do manejo operacional do que da fórmula em si. Raposo reforça pontos críticos:

  • Espaçamento linear: para suplementos de baixo consumo ou energéticos, o ideal é garantir entre 15 e 20 cm por cabeça.
  • Padronização do lote: cochos mal dimensionados favorecem os animais dominantes, que consomem a dose dos subalternos, resultando em lotes desiguais e prejuízo na uniformidade do abate.
  • Monitoramento de consumo: o controle deve ser semanal. Consumo excessivo eleva o custo, enquanto consumo abaixo do esperado compromete o ganho de peso desejado.

Nutrientes e minerais: a alicerce da dieta

Mesmo com a abundância de pastos de alta qualidade, como os do gênero Panicum, a carência de minerais é a primeira barreira para o crescimento.

  • Fósforo e cálcio: a correção desses elementos é obrigatória. O Dr. Sérgio alerta que o gado tolera bem uma relação de até 7:1 (Cálcio para Fósforo), mas a inversão dessa proporção pode ser prejudicial à saúde óssea e ao desenvolvimento.
  • Potencial genético: a suplementação mineral e proteica permite que o animal expresse o máximo de sua genética, atingindo o ponto de abate em idade jovem e com melhor acabamento.

Utilize os capins mais produtivos (Pânicos) de forma intensiva agora nas águas e reserve as Braquiárias para o diferimento (reserva de pasto) da seca, pois elas perdem qualidade de forma mais lenta durante o inverno.

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