‘A recria é o maior retorno da fazenda’, dizem especialistas em pecuária

Fazenda Seriema. Foto: Divulgação.

O Giro do Boi deu início a uma semana especial dedicada à Recria Intensiva a Pasto (RIP). O debate, que reuniu nomes como o zootecnista Rodrigo Gennari (Fazenda Nota Dez), o pecuarista Eduardo Afonso (Fazenda Seriema) e o consultor Guilherme Silveira, trouxe um veredito claro: a recria bem conduzida é o segredo para produzir a arroba mais barata de todo o ciclo pecuário.

Ao contrário do que dita o manejo tradicional, onde o animal jovem é muitas vezes negligenciado, a RIP transforma essa fase no maior motor de lucratividade da propriedade rural.

Confira:

O fim da ‘recria de espera’: eficiência e lucro

O grande destaque do debate foi a desmistificação de que o animal em recria deve ocupar os piores pastos da fazenda. A visão moderna foca na construção de carcaça e na economia da engorda.

O animal jovem possui a maior eficiência biológica do ciclo; ele come menos e converte mais alimento em tecido muscular. Produzir arroba nessa fase é mais barato do que na terminação.

Especialistas reforçam que uma engorda cara é, quase sempre, reflexo de uma recria malfeita. Animais que chegam “vazios” ao cocho exigem mais tempo e investimento, enquanto animais vindos de uma RIP caprichada necessitam de menos tempo de cocho para o abate.

O objetivo da RIP é manter um Ganho Médio Diário (GMD) entre 700g e 800g, garantindo que o animal cresça sem depositar gordura precocemente.

Estudo de caso: a fábrica de proteína da Fazenda Seriema

Direto de Santo Antônio do Leverger (MT), a Fazenda Seriema exemplifica como a recria intensiva multiplica os resultados financeiros e produtivos.

Em 11 anos, a fazenda saltou de 3.000 para 6.000 cabeças na mesma área, atingindo uma lotação média de 4 animais por hectare. Enquanto a média nacional é baixa, a Seriema produz cerca de 50 arrobas por hectare/ano, com uma taxa de desfrute próxima de 100%.

O sucesso passa pelo uso de suplementação entre 0,3% e 0,7% do peso vivo, tratando o pasto como uma verdadeira lavoura.

Foto: Divulgação.

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Comparativo: recria tradicional versus RIP

Indicador Recria tradicional RIP (alta performance)
Lotação Média 0,8 a 1,2 cab/ha 4,0 cab/ha
Ganho Médio (GMD) 300g a 400g 700g a 800g
Idade ao Abate 30 a 36 meses 15 a 18 meses
Produção (@/ha/ano) 4 a 6 @ > 40 @

Pilares da RIP: logística e gestão

Zootecnista Eduardo Afonso, da Fazenda Seriema, ao lado de seu pai, José Afonso Gonçalves. Foto: Divulgação.

Para que a recria entregue o retorno prometido, os especialistas elencam pontos fundamentais de manejo:

  • Logística de trato: o layout da fazenda deve permitir que o suplemento chegue ao cocho diariamente com agilidade, sem interrupções.
  • Aferição de dados: “O que não se mede, não se gerencia”. A pesagem constante é vital para monitorar se o GMD está dentro da meta para diluir o ágio da compra do bezerro.
  • Manejo de pasto: respeitar as alturas de entrada e saída nos piquetes é o que garante a “matéria-prima” de qualidade para o gado.

A mensagem final para o produtor em 2026 é que a recria não é um período de espera, mas de produção intensiva. Quem investe em tecnologia no pós-desmame garante um boi pronto para a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) em tempo recorde, colocando mais dinheiro no bolso e otimizando o uso da terra.

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