O Brasil se consolidou como o país com a maior oportunidade para atender à crescente demanda por proteína vermelha nos mercados globais.
Em entrevista ao Giro do Boi, o presidente da Friboi e do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Renato Costa, destacou que o potencial brasileiro, aliado à produção sustentável e aos avanços sanitários, é a chave para suprir a demanda global, principalmente a asiática.
A abertura de novos mercados e a conquista do status de nação livre de febre aftosa sem vacinação (pela OMSA) foram os principais destaques do ano, garantindo à pecuária brasileira uma vantagem competitiva inigualável.
Confira:
A abertura de mercados e o potencial da Ásia
A indústria e o governo trabalham para levar a vantagem sanitária do Brasil aos principais mercados consumidores, com foco na Ásia, onde o potencial de crescimento é gigantesco:
- Conquista Sanitária: o reconhecimento como livre de febre aftosa sem vacinação abre novas portas e valoriza a origem da carne brasileira.
- Novos mercados: em 2025, o Brasil obteve liberações importantes, como Indonésia e Vietnã, enquanto o Japão permanece como uma promessa em negociação.
- Demanda asiática: o Sudeste Asiático (excluindo a China) soma 680 milhões de pessoas com um consumo per capita de carne bovina ainda muito baixo. Se o consumo subir apenas 1 kg por habitante, a demanda aumenta em 680 mil toneladas.
“É no Brasil que vai ter essa oportunidade de ter esse fornecimento para esses mercados, pela nossa produção sustentável e pelo potencial de ganho de peso, carcaça e genética”, disse Costa.
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Fim do “carne ingrediente” e rentabilidade
A evolução da genética e do manejo na pecuária permitiu que o Brasil deixasse de ser visto como mero fornecedor de “carne ingrediente”, passando a atender a todos os canais, do premium ao processador.
- Carne Premium: a produção de carne para nichos de alto valor, como a linha 1953, exige animais mais jovens (capão ou novilha) com no máximo quatro dentes, reforçando o foco no ciclo curto.
- Rentabilidade: o mercado de exportação, impulsionado pela China (que absorve cerca de 50% das exportações) e pelo foco no boi jovem, tem garantido margem de rentabilidade interessante aos pecuaristas.
- Sustentabilidade: a busca pela rentabilidade levou à sustentabilidade: “Eu buscando a rentabilidade, encontrei a sustentabilidade,” por meio do manejo de pasto e da qualidade genética.
Alerta sanitário e recomendações
Com um potencial enorme, o principal alerta de Renato Costa é sobre a necessidade de manter a vigilância sanitária. Qualquer erro no processo, como o desrespeito à carência dos medicamentos, pode comprometer mercados importantes como o chinês. Ele deu algumas recomendações ao pecuarista, como:
- Capriche na genética (use o PMGZ Carne para touros melhoradores).
- Invista em nutrição (como o DDG) e no pasto.
- Cuide da saúde do gado e respeite a carência dos medicamentos, pois o boi bom e jovem será vendido com melhor margem.
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