O planejamento forrageiro é o processo essencial que garante a produção de pasto no período das águas para que ele não falte durante a seca.
Em entrevista ao Giro do Boi, o zootecnista Edmar Peluso, da Gerente de Pasto, explica que o maior desafio da pecuária é buscar o equilíbrio entre a oferta de pasto e a demanda do rebanho ao longo do ano. O sucesso não reside apenas no manejo do pastejo, mas em uma gestão estratégica com quatro pilares.
Segundo ele, o principal objetivo do planejamento é identificar os desequilíbrios: o excesso de sobra nas águas (pastos passados e sub-explorados) e a falta de pasto na seca (quando a fazenda vai “para o chão”).
Confira:
Os 4 pilares da gestão de pastagens
Para garantir a produtividade e evitar que o capim acabe na seca, o produtor precisa ir além do manejo simples e adotar a gestão completa:
- Planejamento forrageiro e estratégico: inclui a previsão de lotação, protocolo nutricional (para definir quando e qual gado vai para o cocho), previsão de faturamento, reformas, adubação e herbicida.
- Monitoramento da execução: verificar se o planejamento está sendo cumprido, como monitorar o consumo de suplemento (ex: garantir 330g/cabeça) e corrigir rapidamente a área de cocho ou a suplementação.
- Gestão do rebanho: monitorar as reposições e vendas para evitar a superlotação (por exemplo, comprar mais gado do que o planejado), que compromete a capacidade de suporte da fazenda.
- Manejo do pastejo: controlar a estrutura da planta (altura ideal) para colher a forragem de forma eficiente. Usar relatórios para distribuir o rebanho corretamente (ex: lote X no pasto 16, por 7 dias).
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Estratégias para o período da seca
O planejamento forrageiro exige que o pecuarista se prepare para a seca desde o início das chuvas.
- Transferência de forragem: é crucial ter uma estratégia de seca (confinamento, ILP, feno, silagem). O plantio de silagem deve ser feito agora, no início das chuvas, para que o alimento esteja pronto para ser utilizado no inverno.
- Manejo na rebrota: O ajuste da carga no início das chuvas é vital. Se o pasto for superlotado na rebrota, a planta usa todas as suas reservas energéticas e pode “entregar o boné”. Por outro lado, se a estrutura da planta for inadequada (muito batida ou muito palha) no final da seca, ela demora a rebrotar. A solução é ajustar a carga e deixar o pasto vir.
A junção desses pilares leva a um resultado superior. Em um caso no Noroeste do Paraná, a execução correta do planejamento e da adubação levou o pico de lotação a 2,67 UA/ha, e a estimativa para o próximo mês subiu para 4 UA/ha.
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