Mais pasto, menos cocho: o caminho para a arroba mais barata

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

No sexto episódio técnico da nossa consagrada série “No Pasto é Mais Barato”, foi apresentado o fechamento da engrenagem da alta performance forrageira. Após debater temas como planejamento, escolha da planta, manejo por altura e adubação, a série — baseada na obra dos renomados professores e zootecnistas Janaína Martuscello e Manoel Santos — trouxe a suplementação estratégica como a real cereja do bolo da intensificação na produção de carne e leite.

O episódio quebrou o mito de que o suplemento serve para substituir a forragem do piquete. Na verdade, na pecuária eficiente, a matemática funciona ao contrário: o pasto deve ser sempre a base e a dieta basal do boi; quanto melhor for o manejo e a qualidade do capim, menor será a dependência e o gasto com o cocho, viabilizando o caminho para a produção da arroba mais barata do mercado. O suplemento deve complementar o que falta na folha do capim, na quantidade e no momento adequados, e não substituir a volumetria que o animal precisa ingerir.

Confira:

A regra da dependência inversa: o pasto dita o custo do cocho

O grande erro de gestão cometido em muitas propriedades rurais é enxergar o saco de suplemento (seja proteinado ou energético) como o salvador da lavoura em pastos mal manejados, rapados ou superlotados. Janaína desenhou a Regra da Dependência Inversa:

Quanto melhor for o manejo do pasto = menor será a dependência e o gasto com suplementos no cocho

Quando o produtor ajusta rigorosamente a altura de entrada e saída do gado no sistema rotacionado e aduba estrategicamente, a folha do capim entrega quase todos os nutrientes que o rebanho necessita. Isso diminui drasticamente o consumo de ração comprada no balcão e reduz de forma brutal o custo fixo por cabeça/dia na fazenda.

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O efeito da programação fetal na prática da cria

Para comprovar o impacto do manejo forrageiro na fase de cria, foi apresentado um estudo revolucionário conduzido pela APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) com vacas prenhes no terço final da gestação (fase crítica de desenvolvimento do feto).

As matrizes foram divididas em dois lotes. O primeiro grupo passou o terço final da gestação em pastagens rapadas e de baixa oferta. O segundo lote foi mantido em pastos de cabeceira, volumosos e de alta qualidade.

Os bezerros foram acompanhados desde o nascimento até o abate em confinamento. Os filhos das vacas mantidas em pasto de melhor qualidade tiveram desempenho superior em todas as fases da vida, entregando carcaças mais pesadas e com melhor acabamento no frigorífico. A ciência prova que o manejo do capim na gestação dita o lucro final do gancho.

O trunfo do pasto diferido e do proteinado no auge da seca

Em pleno mês de julho, auge do período de estiagem no Brasil Central, evitar o efeito “sanfona” (no qual o gado perde na seca o peso que ganhou nas águas) é uma obrigação financeira para não esticar o ciclo do animal. A combinação de pasto diferido com suplementação cirúrgica surge como a saída mais barata.

O capim de seca é fibroso e pobre em proteína. Ao fornecer o sal proteinado correto, o produtor entrega o nitrogênio necessário para alimentar e multiplicar as bactérias do rúmen.

Com o “exército” de bactérias fortalecido, o boi quebra e digerir a fibra do capim seco muito mais rápido, extraindo a energia que estava travada na planta. Essa associação permite obter até 600 gramas de Ganho Médio Diário (GMD) em plena estiagem.

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