No Giro do Boi desta quinta-feira (9), o renomado engenheiro agrônomo e um dos principais embaixadores de conteúdo do programa, Wagner Pires, pós-graduado na área de pastagens pela Esalq-USP e consultor do Circuito da Pecuária e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, trouxe um exemplo de altíssima competência gerencial direto da Fazenda Igarapé, localizada no interior do Maranhão.
A propriedade tornou-se uma vitrine e referência regional em pecuária intensiva por sua capacidade de produzir carne com eficiência e alta taxa de lotação.
O especialista detalhou como a propriedade combina o manejo rigoroso de pasto limpo com um banco diversificado de silagem para elevar a produtividade e sustentar o rebanho no topo. Apenas eliminando a competição com plantas daninhas, a propriedade conseguiu um feito impressionante: aumentar a taxa de lotação em duas vezes e meia sem a necessidade de abrir nenhum hectare de mata nativa.
Para manter esse rebanho produtivo durante o inverno seco e sob a influência do fenômeno El Niño, a fazenda estruturou uma verdadeira fábrica de volumosos conservados.
Confira:
O milagre da limpeza de pasto e o pastejo rotacionado
O ponto de partida do sucesso da Fazenda Igarapé está na recuperação e conservação da capacidade de suporte do solo, revertendo o cenário comum na região Norte e Nordeste onde as invasoras sufocam o capim.
Ao investir na limpeza química e mecânica do eito, a fazenda eliminou a matocompetição por luz, água e nutrientes. A pastagem respondeu com uma produção explosiva de biomassa foliar, permitindo colocar duas vezes e meia mais bocas no mesmo espaço físico.
O rebanho é manejado de forma intensiva em sistemas de pastejo rotacionado. Nas águas, colhe-se o capim no ponto de máximo valor nutricional; na seca, o lote se concentra em praças de alimentação estratégicas com cochos móveis nas divisões dos piquetes.

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O banco de silagens: diversificação para enfrentar a seca
A pecuária de alta performance exige planejamento forrageiro para que o gado não passe fome na estiagem. O grande diferencial da Fazenda Igarapé foi montar um estoque de segurança diversificado que não fica dependente de uma única cultura agrícola.
Os silos da propriedade contam com silagem de milho pura, silagem de sorgo, consórcios de milho + capim, sorgo + capim, além de cana-de-açúcar e capineiras industriais.
Na estiagem, a boiada consome a forragem seca do piquete como fonte de fibra (bucha) e recebe a energia e a proteína necessárias direto do banco de silagem nos cochos das praças de trato, mantendo o Ganho Médio Diário (GMD) ativo na pior época do ano.
A tática de crise: desova estratégica para proteger a raiz do pasto
Se a fazenda não possui o banco de volumosos da Fazenda Igarapé e a comida acabou, o consultor orienta a aplicação imediata do plano de alívio de pasto. Comercializar sem demora o gado gordo, as matrizes de descarte e os animais remanescentes mais pesados. Isso faz caixa rápido e retira a pressão de consumo sobre o capim seco.
Segurar na fazenda apenas as categorias mais leves (bezerrada recém-desmamada e garrotes de recria). O gado leve consome muito menos Matéria Seca (MS) por dia, permitindo que a forragem restante dure até o retorno das chuvas em outubro. Esse manejo evita o superpastejo, impedindo que o lote rape o solo até a raiz, o que degradaria a pastagem de forma irreversível.
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