Consórcio com milheto ajuda na recuperação de pastagens? Especialista responde

Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O pecuarista Mário Fossalussa, de Valparaíso de Goiás (GO), relatou que já utiliza uma área para consorciar capim com milheto focando na produção de silagem e questionou se esse modelo também figura como uma boa opção para a formação e a recuperação de pastagens degradadas.

Ao quadro “Giro do Boi Responde”, o zootecnista Edson Poppi, afirmou que o consórcio de capim com milheto não apenas ajuda, mas é uma das tecnologias mais eficientes, baratas e seguras para a formação e recuperação de pastagens no Brasil Central.

Poppi explicou que, além de pagar a conta da reforma com uma silagem de baixo custo e excelente volume de massa verde, o milheto atua como um verdadeiro “arado biológico” no solo, descompactando o perfil da terra e deixando a estrutura perfeita para o capim consorciado bombar com vigor nas safras seguintes.

Confira:

O efeito “arado natural” a 2 metros de profundidade

O grande trunfo do milheto no processo de recuperação de pastagens não está apenas na qualidade da comida que vai para o silo, mas no benefício estrutural invisível e profundo que ele deixa de herança para o solo.

O milheto possui um sistema radicular extremamente potente, capaz de romper camadas duras e compactadas da terra, atingindo até 2 metros de profundidade em busca de água e nutrientes.

Quando o volumoso é colhido para a silagem e o ciclo da planta termina, essas raízes profundas morrem e apodrecem dentro da terra. Esse processo cria verdadeiros “túneis” ou canais biológicos no solo.

Esses canais melhoram drasticamente a permeabilidade da água (ajudando a reter a umidade das chuvas) e a aeração do solo. Quem aproveita essa estrutura é a Brachiaria consorciada que ficou embaixo: com o solo biologicamente descompactado, as raízes do capim explodem em crescimento, garantindo uma pastagem vigorosa, densa e produtiva por muitos anos.

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A tecnologia do consórcio capim-milheto: economia e volume no silo

Apesar de o milho e o sorgo serem opções tradicionais para silagem, o zootecnista cravou o milheto como sua opção favorita para a reforma de pastagens devido ao excelente custo-benefício que ele entrega ao bolso do produtor:

O mercado atual oferece variedades de milheto altamente melhoradas, com excelente valor nutritivo e alta proporção de folhas. O grande diferencial competitivo de largada é o custo da semente, que é extremamente baixo se comparado ao saco de milho híbrido.

Essa mistura entrega uma quantidade espetacular de matéria seca e biomassa, garantindo uma colheita volumosa, folhosa e de alta qualidade para o estoque de inverno da fazenda, diluindo o custo fixo por hectare reformado.

A geografia do cocho: onde o milheto domina

Por ser uma planta que ama o calor e o sol, o milheto só encontra restrições em regiões de frio extremo. Do Paraná para cima — abrangendo todo o Centro-Oeste (incluindo o eito de Goiás), Sudeste, Norte e Nordeste —, o resultado desse consórcio é sinônimo de sucesso absoluto.

O milho, embora tradicional, é uma cultura exigente que não aceita erros: em solos de baixa fertilidade ou com histórico de veranicos frequentes, ele quebra a produtividade e gera prejuízo. O sorgo é uma alternativa rústica para safrinhas secas, mas o milheto supera as expectativas ao aliar a rusticidade contra o estresse hídrico com o máximo benefício físico para o perfil do solo.

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