El Niño mantém calor no Norte e abre janela de chuva no Centro-Sul

Foto: Pixabay.

A previsão do tempo desta terça-feira (2) traz um panorama climático de transição que exige foco total no planejamento estratégico e no bem-estar do rebanho. O mês de junho avança sob a batuta do fenômeno El Niño.

Embora a tendência global aponte para um inverno com médias térmicas acima do normal no Brasil Central, o mapa de curto prazo faz um alerta contundente: as incursões de ar polar serão pontuais nesta temporada, mas virão de forma cirúrgica, rápida e muito intensa.

Para os invernistas, confinadores e criadores da região de Dourados (MS), o monitoramento climático acende o sinal de alerta máximo para o manejo sanitário de campo. Por lá, o tempo segue firme, ensolarado e estável nos próximos dias. No entanto, uma potente massa de ar de origem polar vai romper os bloqueios atmosféricos. Perto do final da primeira quinzena de junho, os termômetros vão despencar, com previsão de mínimas de até 6°C na região.

Uma temperatura de 6°C na madrugada exige atenção total com o desconforto térmico de animais jovens (bezerros recém-desmamados na RIP) e vacas paridas. Proteja os lotes mais sensíveis movendo-os para piquetes que contem com barreiras naturais de vento, como capões de mato ou áreas mais arborizadas da fazenda.

Confira a previsão do tempo completa com Pryscilla Paiva:

O “bônus” de umidade nas pastagens do Centro-Sul

Apesar do avanço tradicional da estiagem de inverno, o El Niño vai dar uma colher de chá valiosa para o produtor entre os dias 9, 10, 11 e 12 de junho. Uma frente fria muito bem configurada vai avançar pelo Centro-Sul do país, quebrando o jejum de água e trazendo volumes consistentes de chuva.

Os acumulados mais expressivos vão cortar o Paraná, o estado de São Paulo e avançar até o Triângulo Mineiro, atingindo também as pastagens do sul de Mato Grosso e de Goiás.

Para esta época do ano, qualquer pulso de chuva acima dos 15 a 20 milímetros é considerado uma bênção. Essa umidade será o “último respiro” para assentar a poeira das praças de trato (TIP/Confinamento), umedecer o solo e estender o vigor do capim antes que as chuvas sumam em definitivo pelo restante do inverno.

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Metade Norte aquecida e em alerta de seca

No sentido oposto, acima do paralelo central do país, o clima segue à risca a cartilha do inverno tropical. Enquanto o Sul esfria, a metade Norte do Brasil experimenta o predomínio de sol forte, vento constante e temperaturas máximas que superam facilmente os 30°C.

Até a chegada da frente fria no Sul, a chuva no mapa brasileiro fica totalmente restrita à faixa litorânea do Nordeste e ao extremo Norte (sob o eito da ZCIT). No interior do Matopiba e norte de Minas, o tempo limpo exige aceleração na manutenção de aceiros contra incêndios.

Orientação ao produtor

  1. Organize o eito no Centro-Sul: se você tem fazenda no sul de Mato Grosso do Sul, São Paulo ou Triângulo Mineiro, use a janela de tempo firme e seco até o dia 8 de junho para adiantar os trabalhos de campo. Quando a chuva chegar entre os dias 9 e 12 de junho, aproveite a umidade imediata da terra para soltar a última adubação nitrogenada de cobertura se você trabalha com pastos intensificados (RIP ou rotacionados), garantindo que o capim ganhe força foliar antes que o frio de 6°C estale os termômetros.
  2. Ronda contra a poeira e a lama: use esse pulso hídrico de até 20 milímetros para limpar os currais. A chuva vai baixar a poeira vermelha que causa problemas respiratórios no gado de confinamento. Fique atento apenas para que o acúmulo de água não gere poças de lama persistentes nas linhas de cocho.
  3. Estoque de volumoso no Norte: nas regiões Norte e Nordeste, o foco absoluto deve ser aproveitar o calor acima de 30°C para concluir a estocagem de volumosos (silagem e feno). Com o capim perdendo valor nutritivo rapidamente sob o sol forte, a suplementação proteica no cocho deve ser iniciada sem demora para proteger o escore das matrizes.

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